“Ele era o pior bandido da favela, mas ele tinha a maior e melhor virtude que Deus espera de uma pessoa”.

Os mais rejeitados pela sociedade, são aqueles que podem nos surpreender.

FONTE: Ministério Engel

ATUALIZADO: 26 de maio de 2020

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E Jesus, tendo ouvido isto, disse-lhes: Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento. Marcos 2:17

Existe um demônio poderoso, que passa pela Terra todos os dias. Ele busca morada no coração de homem, pois sabe que se encontrar um terreno fértil, é capaz de impedir uma grande obra de salvação na vida de quem precisa de Jesus. Porém, o mais surpreendente, é que esse demônio não busca vidas perdidas, pecadores ou pessoas que ainda não conhecem Jesus. Ele busca a minha e a sua vida. O nome dele é Preconceito.

O Preconceito, com letra maiúscula, pois aqui se trata do nome de um demônio, nos impede de falar com pessoas que estão à margem da sociedade, como bandidos, traficantes, drogados, etc. Ele também nos enche de argumentos para não evangelizarmos nas ruas, nas periferias, nas favelas. Ele nos trava, pois coloca em nossa mente que seria impossível a conversão de alguém, quando na verdade não existe uma alma sequer que não possa ser tocada pelo Espírito Santo de Deus. Quando você acredita que alguém é “inconvertível”, ou seja, impossível de se render aos pés de Jesus e aceitar o Seu sacrifício de morte na cruz, isso significa que você está apostando em suas capacidades, em sua eloquência, em seu poder de influência, quando na verdade, quem faz toda a obra é o Espírito Santo. Jesus nos mandou apenas “ir e pregar para toda criatura” (Marcos 16:15).

Ainda no início de minha conversão, há pouco mais de 30 anos, eu vivia uma fase de restituição quando a favela Cristo Rei entrou em minha história. Estava saindo da falência, me livrando de mais de 30 processos, começando uma caminhada com Jesus e assim, perguntei a Ele qual seria o primeiro lugar onde Ele iria pregar, caso voltasse à terra em forma humana. Em sonho, o Senhor me respondeu que iria em uma favela e assim, decidi conhecer uma em Cachoeira do Sul. Quando entrei ali pela primeira vez, confesso que senti um verdadeiro pavor, mas meu coração foi quebrantado ao ver situações difíceis de fome, frio, doenças terríveis, além de histórias surpreendentes de pessoas que outrora, tiveram uma boa vida, mas perderam tudo e acabaram tendo que parar ali. Então, a minha missão era levar boas notícias sobre Jesus e o que Ele havia feito em minha vida. A cura, a restauração, a restituição, disfarçando-me como um “bem feitor solidário”. Eu levava pão, mas antes de entregar o pão físico eu oferecia o pão espiritual, a palavra de Deus. Foi assim que eu acabei conhecendo o maior marginal, o bandido mais temido da favela Cristo Rei, o Tonho.

Chefe de uma das quadrilhas mais temidas da Cristo Rei, Tonho era considerado um dos piores e mais violentos homens da favela. Como ele estava preso, eu tive que visitá-lo no presídio. Levei um livro para ele e disse que, se ele aceitasse Jesus, Deus o tiraria da prisão. Ele topou o desafio, Jesus realmente o libertou das celas físicas e tempos depois ele mesmo deu seu testemunho. Nossas reuniões aconteciam na casa de dona Dorilia Vicenza e foi ali onde demos início ao projeto 24/7 de oração. Deus me mostrou como agem os espíritos malignos na favela, provocando brigas de hora em hora, assim, montamos um relógio de oração para que nenhum horário ficasse descoberto.

Jesus, o amigo e advogado dos culpados arrependidos

Um dia eu tive a oportunidade de ver o Tonho brigando com cerca de 20 homens. Ali tive a convicção de que ele era possuído por demônios. Eu ainda não conhecia Jesus muito bem e não sabia se Ele poderia salvar alguém assim. Mas eu sabia que havia algo diferente naquele lugar e Deus tinha um plano na vida dos moradores e na minha. Uma noite, quando eu chegava na favela para pregar, encontrei o Tonho bem chateado. Seus amigos disseram que ele seria julgado e condenado, no dia seguinte. Nenhum dos amigos poderia acompanhá-lo, pois todos eram procurados pela justiça. Mas aí eu disse que um amigo iria com ele: Jesus, o amigo e advogado dos pecadores e dos culpados arrependidos. Eu me propus a ir ao julgamento como representante de Jesus, apesar de minha situação também não ser favorável naquele momento. Eu também estava sendo procurado, respondia a 33 processos judiciais por dívidas da padaria, mas para levá-lo à Cristo, eu estava disposto a arriscar minha própria liberdade. Eu sabia que a conversão do Tonho, iria influenciar na salvação de quase toda aquela favela.

O Tonho podia ser brigão, perdido, assassino, violento, mas Deus sabia que ele tinha algo de bom dentro dele. Jesus procura os perdidos porque quer salvá-los e trazê-los para o lado do bem. Ao prometer para o Tonho que ele não iria para o fórum sozinho, eu tive a visão de um ser alto, forte, musculoso, parado em minha frente e depois marchando ao meu redor. Era um anjo. Ele parou atrás de mim e me vestiu com uma capa. Naquela hora eu senti algo tão extraordinário, que parecia que eu poderia enfrentar o maior exército desse mundo. Algo diferente aconteceu comigo. Deus estava me capacitando para essa missão importante na Cristo Rei. Aqueles que buscam a Deus de todo o coração serão encontrados pelo Senhor.

Era a primeira vez que eu estava vendo um anjo após a minha conversão, mas ele não veio por minha causa, mas sim pelo Tonho. Quando vamos lutar por uma pessoa, Deus manda reforço. Aquele anjo veio para me trazer a capa, a espada e o capacete. Além disso, o Espírito Santo me orientou a vestir o melhor terno, pois eu seria o ‘advogado’ do Tonho. Aqui está o grande amor de Deus pelos perdidos.

Jesus foi criticado pelos religiosos por andar e comer com os pecadores. Ao acusarem Jesus, Ele disse que veio para os doentes, para salvar os pecadores arrependidos e isso mudou o meu pensamento. Ao chegar ao fórum realmente fui confundido com um advogado. Entrei na sala para acompanhar o julgamento e em 29 minutos o Tonho estava livre! Foi para casa, absolvido de qualquer condenação. Voltamos para a favela e fomos comemorar com uma linguiçada. Eu me tornei o amigo dos homens da vila. As pessoas que falavam que estavam indo ao “culto do irmão Joel”, tinha livre acesso à favela. As quadrilhas se tornaram nossas amigas. Passado um tempo, reunimos presentes para o “Natal da criança carente” e fizemos uma grande festa! Os policiais ficaram preocupados, mas eu deleguei funções aos líderes das quadrilhas e eles cuidaram de tudo. Houve ordem e foi uma festa maravilhosa, com muitas crianças sendo abençoadas.

A notícia da conversão do Tonho se espalhou e começaram a vir outras pessoas, integrantes das quadrilhas e assim, a igreja foi crescendo.

Anos depois, os papeis se inverteriam. Chegou o dia do meu julgamento em Faxinal do Soturno. Eu estava sendo acusado de “curandeirismo”. Além da minha família, ninguém quis ir comigo ao fórum, por medo, mas eu estava seguro, pois Deus sempre me protegia, enviando seus anjos. Quando eu cheguei na porta do Fórum, prestes a ser julgado, a primeira pessoa que avistei foi o Tonho. Ele estava lá, para me apoiar. Eu perguntei: ‘o que você está fazendo aqui?’ E ele disse: ‘lembra quando o senhor foi no meu julgamento para me apoiar? Pois hoje eu estou aqui para te dar uma força!’

Naquele dia eu entendi o que Jesus via de tão especial no Tonho. Ele tinha a maior e melhor virtude que Deus espera de uma pessoa, ele era fiel, capaz de dar a sua vida pelo próximo. Jesus valoriza a lealdade.

Tantas pessoas haviam recebido milagres em Faxinal, mas ninguém tinha coragem de testemunhar em meu favor. Não é fácil ficar do lado de uma pessoa em uma hora dessas, mas o Tonho permaneceu até o fim. Esses são os verdadeiros amigos.

O Tonho se tornou um grande amigo, presente e sempre leal. Lembro-me de quando eu ficava triste por conta das perseguições, ele sempre dizia: “Prega pregador e não pare de pregar”! Ele ficava repetindo essa frase e aquilo me fortalecia, reascendia a chama do Espírito Santo.

Muitos amigos da favela deram a sua vida em oração por minha vida, por isso sou muito grato a Deus por cada pessoa que entregou a sua vida naquele lugar.

O poder da Ingratidão

A ingratidão é um dos sentimentos mais difíceis na vida de um pregador. Quantos pastores estão sofrendo de solidão durante essa pandemia! Ajudaram tantas pessoas e hoje, não têm o retorno, a honra, a provisão por parte de seus membros. Se cada pastor tivesse um “Tonho” ao seu lado, eles estariam supridos no momento de dor e de escassez.

Essa experiência marcou a minha vida! Ser instrumento de salvação para muitos criminosos, ajudar muitas pessoas a sair do submundo do crime e acompanhá-los, foi e ainda é muito gratificante. Muitos pastores fazem isso com pessoas embriagadas, depressivas, mas a maioria nunca volta para agradecer. Hoje temos muitas igrejas fechadas pela opressão comunista e muitos que outrora tiveram uma mão estendida, não vão à sua casa reconhecer que quando estavam em dificuldade, foi ajudada pelo pastor. São poucos aqueles que voltam para ver se ele está precisando de alguma coisa, alguma ajuda. Foi o que o Tonho fez comigo.

Graças a Deus, em nosso Ministério temos muitos anônimos fieis, que dão a sua vida por amor a Jesus e estão conosco na bonança e na crise. Deixe Deus usar a sua vida para ser instrumento de bênção hoje, na vida de alguém.

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