Por que Jean Wyllys está fugindo?

O parlamentar afirma estar sendo ameaçado de morte e por isso teria que sair do Brasil, para morar na Espanha, onde planeja dar aulas como professor universitário.

FONTE: MINISTÉRIO ENGEL

ATUALIZADO: 4 de fevereiro de 2019

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(Foto: Divulgação)

Na última terça-feira (29), Câmara dos Deputados publicou na edição de seu Diário Oficial a renúncia do mandato do deputado federal Jean Wyllys (PSOL – RJ). O parlamentar afirma estar sendo ameaçado de morte e por isso teria que sair do Brasil, para morar na Espanha, onde planeja dar aulas como professor universitário.

De fato, ser ameaçado de morte é algo extremamente grave. Tão grave que torna de total importância o registro de um Boletim de Ocorrência junto à Polícia Federal – já que ameaçar um deputado federal é um crime de tal magnitude.

Porém, a minha desconfiança – e provavelmente a de boa parte da população – surge e começa a ganhar força à medida que esta história parece estar cada vez mais mal contada. Os fatos não se encaixam com os relatos e plano de fundo deste cenário começa a depor contra o parlamentar.

As suspeitas sobre o caso são inúmeras, mas vou me restringir a comentar os fatos que já foram checados e confirmados. Vamos usá-los como peças de um quebra-cabeça que tentam se encaixar, não para julgarmos, mas sim para tentarmos entender este contexto cada vez mais complexo.

Para início desta análise dos fatos, Jean Wyllys não chegou a fazer um Boletim de Ocorrência destas ameaças que ele diz estar recebendo nos dias atuais. Ele poderia ter seguido o exemplo de seu colega de partido, Marcelo Freixo, que notificou a Polícia Federal e registrou a denúncia formalmente, alertando que estava recebendo ameaças. Este procedimento só ajuda nas investigações e na punição desse tipo de crime. Mas Wyllys não o fez.

Um segundo ponto que deve ser lembrado é que Após o Ministério da Justiça ser acusado de omissão, o Ministro Sérgio Moro rebateu as acusações, lembrando que o homem que fez as ameaças a Jean Wyllys já está preso desde 2018. Então, o caso já teria sido investigado e solucionado.  Por que o parlamentar, ainda assim, iria embora, sendo que não há previsão do criminoso ser libertado?

Outra questão interessante se dá agora por uma sequência de fatos lembrados pelo comentarista político durante uma edição recente do ‘Morning Show’, na Jovem Pan. Coppolla fez dois alertas iniciais em seu comentário sobre o caso do parlamentar do PSOL:

1. O interesse de Jean Wyllys é 100% político.

2. A saída de Jean Wyllys do Brasil não deve ser comemorada pelos conservadores como uma vitória da Direita.

Os fatos mais específicos citados por Coppolla são ainda mais interessantes para nos ajudarem a entender este contexto:

  • Enquanto em 2014, Wyllys foi eleito deputado federal pelo PSOL com 144 mil votos, em 2018, recebeu apenas 24 mil votos – o que mostra que ele deixou de ser visto como um representante da comunidade LGBT e foi apoiado apenas pela militância (uma pequena parcela) desse movimento.
  • O cenário político na Câmara Federal também mudou bastante, com partidos contrários à esquerda ganhando bastante espaço, como o PSL (de Bolsonaro) e o Novo (de linha liberal). Dessa forma, realmente fica difícil continuar sendo “resistência”.
  • A renúncia de Jean Wyllys permite que o suplente David Miranda assuma a cadeira na Câmara. David Miranda é companheiro (vive em regime de união estável) com o jornalista e correspondente internacional Glen GreenWald, que ajudou a espalhar na mídia estrangeira a tese de que o impeachment de Dilma Rousseff foi um golpe de Estado.
  • Com sua saída do Brasil, Wyllys pode deixar de ser um deputado de representatividade mínima na Câmara para ser vendido no estrangeiro como “o embaixador da resistência” no estrangeiro.
  • Por fim, toda esta estratégia seria sustentada por quem? Por você, por mim, pelos cidadãos brasileiros, pois o salário de um deputado corresponde a cerca de 9 mil euros.

Finalizo esta reflexão ainda me questionando: por que Jean Wyllys está fugindo?

 

 

 

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