ATUALIZADO: 22 de julho de 2018
Imagem ilustrativa. Foto exibe corpos queimados diante de centenas de pessoas, em região da África. (Foto: Reprodução)
Nos últimos anos, investigações vêm revelando que rituais envolvendo o sacrifício de crianças em Uganda têm se tornado uma prática mais frequente do que se imaginava. Segundo reportagem da BBC News, as autoridades do país têm conhecimento dos rituais e estariam preocupadas com o aumento das atividades.
A equipe da agência cristã de notícias CBN News chegou a fazer uma reportagem especial, onde revela o testemunho de crianças que foram resgatadas pelas autoridades policiais. A reportagem acompanhou de perto o trabalho de uma força-tarefa formada por detetives secretos, polícia armada e autoridades.
O crescimento da prática no país está diretamente vinculado à busca por prosperidade, o que leva a crença de que os rituais de sacrifícios podem ajudar as pessoas a enriquecerem mais rápido. Apesar de todos os esforços das autoridades locais, estes rituais continuam a ser praticados.
A cidade africana de Kasese, a oeste de Uganda, reúne algumas tribos que há anos vêm realizando práticas de magia negra, incluindo o sacrifício humano de crianças e adolescentes. O apóstolo Joel Engel visitou recentemente uma destas localidades. A visita do líder gaúcho chegou a ser destaque no Portal Guiame.
O local que faz parte do antigo Reino de Rwenzururu, localizado próximo da fronteira entre Uganda e a República Democrática do Congo, e que hoje se chama Reino de Bahiira, recebeu a visita durante a implementação do Projeto Daniel no país.
Quando chegaram ao local, que fica em uma região remota, a equipe enfrentou uma verdadeira batalha espiritual. Alguns dos feiticeiros que participam destes rituais estavam presentes e tentaram constranger o apóstolo.
“Quando eu peguei a palavra, eu percebi que estávamos cercados de feiticeiros. Eles estavam fazendo encantamentos contra nós. A sensação era que nós seríamos servidos no jantar [pelos canibais]”, comentou o apóstolo com exclusividade ao Guiame.
Mudança no reino
A mensagem ministrada diante de autoridades e representantes dos reinos da região foi dura, pois denunciava a matança de crianças e adolescentes. “Eu estava indignado com aquilo. Se nós fossemos naquele lugar e não mudássemos nada, não adiantaria a gente ir”, disse o apóstolo.
Ele então proferiu um decreto contra os rituais de magia negra e profetizou a queda do antigo rei, ungindo um novo rei em seu lugar, o que veio a se cumprir algumas semanas depois de ter proferido a mensagem.
“Naquela ministração que fizemos, nós lançamos um decreto para que o rei matador de crianças fosse retirado e Deus colocasse alguém em seu lugar. Deus me mostrou que Seus filhos seriam reis naquele lugar”, conta o apóstolo.
Semanas após a visita da equipe, o presidente de Uganda, Yoweri Museven, ordenou a prisão do antigo rei, liberando documentos para que o novo rei que foi ungido pelo apóstolo Joel assumisse em seu lugar.
“Aquele demônio foi destronado. A partir de agora não tem mais matança de crianças naquele lugar. Se essa fosse a nossa missão, ela já estaria cumprida”, comemorou na época o apóstolo Joel.
Pastor Joel Engel durante ministração em uma tribo de Kasese, em Uganda. (Foto: Guiame/Marcos Paulo Corrêa)
Novos desafios
Porém, nos últimos dias, o apóstolo recebeu a notícia de que os antigos rituais poderiam estar sendo retomados, pois os feiticeiros estariam desafiando a autoridade do novo rei e do presidente da Uganda, que entregou o país para Jesus Cristo.
Tomado por um sentimento de indignação, o apóstolo Joel Engel enviou uma mensagem aos feiticeiros, mensagem que foi traduzida e transmitida aos cidadãos daquela localidade, onde dizia que aqueles que tentassem sacrificar crianças, Deus os queimaria com fogo dos céus.
Imediatamente após enviar a mensagem, líderes da Força Global de Oração foram convocados para iniciar uma corrente em favor da África. O propósito desta campanha era pedir uma intervenção divina diante da possível retomada dos sacrifícios infantis em rituais de magia negra convocados por feiticeiros.
Na mesma semana em que a mensagem foi traduzida para os ugandenses, alertando sobre as consequências que viriam contra aqueles que tentassem retomar os antigos rituais, treze pessoas envolvidas com feitiçaria morreram queimadas. Como a identidade das testemunhas precisam ser preservadas por conta de ameaças, nós usaremos nomes fictícios para relatar o que aconteceu.
Mangeni, um pastor local, afirma que no momento do ritual caiu “fogo dos céus” e matou os feiticeiros que sacrificariam três crianças. Ele também disse que o governo local ficou espantado com o que aconteceu e reconheceu como um ato divino, mas que tem tentado manter em sigilo para proteger a cultura da região.
“O governo de Uganda aceitou o que aconteceu, mas eles disseram que têm que proteger a cultura de seu povo e tais coisas na televisão e nas mídias sociais mostram a fraqueza do governo”, disse o pastor.
Ele também afirmou que as pessoas que morreram não eram cidadãos comuns, mas autoridades locais que estavam diretamente envolvidas com rituais macabros de magia negra. Por isso, segundo a testemunha, a polícia local não quer divulgar o acontecimento como tendo sido uma ação de Deus.
“As pessoas que morreram não são pessoas comuns, mas eram pessoas importantes. A polícia não pode dar um relatório dizendo que eles morreram por causa do fogo do céu, eles disseram que ainda estão investigando”, contou Mangeni.
Crianças são frequentemente alvo de sacrifícios humanos, em Uganda. (Foto: Guiame/Marcos Paulo Corrêa)
Outra pessoa a testemunhar sobre o ocorrido foi Nakawa (nome fictício), que disse que um jornalista da região que cobriu o acontecimento está desaparecido e que uma feiticeira envolvida no ritual teria sobrevivido, mas que está hospitalizada com queimaduras muito graves.
“As pessoas estão impactadas com o que aconteceu, muitas não querem falar sobre o assunto por causa das ameaças. Este acontecimento pode resultar em uma guerra interna, pois ainda existem pessoas que defendem estes rituais”, disse Nakawa.
Segundo informou, o presidente do país é cristão e luta contra os sacrifícios humanos, mas ainda assim as pessoas continuam fazendo os rituais secretamente. Essas pessoas estariam se utilizando das leis culturais para continuar praticando os rituais.
Joel Engel