“Ver mulheres aprisionadas me motivou a contar meu testemunho de dor”, diz Mary Duarte

Durante 27 anos, a esposa do pastor Cláudio Duarte diz que viveu em um quarto, sozinha, costurando e não sabia da “fama” do marido.

FONTE: GUIAME, MARCOS CORRÊA

ATUALIZADO: 10 de maio de 2019

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Mary Duarte ministra no congresso Kingdom Movement, no Japão. (Foto: Guiame/Marcos Corrêa)
Mary Duarte ministra no congresso Kingdom Movement, no Japão. (Foto: Guiame/Marcos Corrêa)

 

Com cobertura exclusiva do congresso Kingdom Movement, realizado na Igreja Apostólica Restaurando as Nações (IARN), em Kamisato, no Japão, o Guiame recebeu a pastora Mary Duarte, logo após sua ministração no evento para uma entrevista.

A pastora contou sobre a longa fase de sua enfermidade, de seu comportamento agressivo e violento, inclusive com o marido, o pastor Cláudio Duarte. Mary falou sobre o suicídio de sua mãe, que a levou àquele estado de feridas emocionais profundas e como Deus a curou e restaurou.

A ministração de Mary Duarte foi sobre o seu testemunho, que culminou com sua assunção do ministério pastoral há 4 anos, onde trabalha ao lado do marido, que além de pastor itinerante é presidente de uma igreja em Xerém, Duque de Caxias (RJ).

Portal Guiame: O que abriu seu coração para falar de coisas tão íntimas, sendo uma pastora e esposa de um dos homens mais conhecidos na área de família?

Mary Duarte: Uma das coisas que mais me motivaram foi a dor que eu passei, porque a dor que eu passei eu não gostaria que ninguém mais passasse. A minha mãe fez um pacto com Deus, que infelizmente ela não conseguiu cumprir. E é como se este legado viesse a mim e eu estivesse anunciando para que pessoas não viessem a cair e cometer o mesmo erro. E aquilo me motivou e eu vendo tanta dor, eu vendo tantas mulheres aprisionadas, isso me motivou a abrir meu coração.

Guiame: Você sentiu algum tipo de pressão vendo o pastor Cláudio Duarte com um ministério tão grandioso, que atingiu níveis nacionais e internacionais?

Mary: Em momento algum, até porque eu não sabia que ele tinha essa fama toda. Eu fui descobrir agora a pouco tempo. A simplicidade dele é tão grande que não deixou nem dentro de casa transparecer. Então eu não sabia quem ele era e hoje em dia por eu estar curada de tal forma eu chegou nos lugares e [digo] eu sou isso aqui, gostem de mim ou não gostem, eu sou isso aqui.

Guiame: Esse processo de cura foi longo?

Mary: Eu fiquei 27 anos aprisionada nisso. Eu estou experimentando esse poder da cura tem quatro anos. E isso se deu no Modeladas, num congresso em Brasília, que acontece com a Comunidade das Nações com a bispa Dirce Carvalho.

Guiame: Você disse que começou a ter problemas aos 9 anos, dentro da própria família. Foi daí que desencadeou todo esse processo: de rejeição, de medo, depressão…

Mary: Sim. Cada um de nós trazemos uma bagagem conosco e nós sabemos que biblicamente falando em Êxodo 20.5 fala “nem te encurvarás a elas, nem as servirás porque eu sou Deus zeloso que visito a terceira, a quarta geração daqueles que me aborrecem, mas faço em milhares daqueles que guardam a minha palavra”, ou seja, eu nasci em berço evangélico, algo foi quebrado, um princípio foi quebrado, minha mãe tentou o suicídio, então isso não vai acarretar coisa boa. Eu vim com toda essa bagagem, Cláudio com a bagagem dele, mas Deus nos uniu que nós iríamos nos unir e que nós seríamos, basicamente, uma referência para a família.

Guiame: Você disse em sua palestra que foi você quem pregou para o Cláudio. E disse que seria ele o seu marido, e orou por isso junto com uma irmã.

Mary: Na realidade quem pregou para ele foi a minha vida. Eu estava desviada, passando por muitos processos de dores, de pressão, até mesmo demoníaca, então a minha vida pregou para ele, que chegou ao ponto de saber que ele precisava verdadeiramente de Deus, que Deus seria o Senhor da vida dele. Isso é que foi a pregação.

Guiame: Quando é que ele entrou para a igreja e passou a seguir Cristo? Você o acompanhou?

Mary: Sim. No dia ele aceitou Jesus e eu retornei para os caminhos do Senhor porque eu estava desviada, devido à magoa, à tristeza que eu sentia, por ter conversado com Deus, por ter pedido a cura da minha mãe que foi o que me ensinaram a muitos anos, porém o que eles me disseram foi “ora que Deus cura”, mas não me disseram que Deus diz “sim, não e espera”. Então a resposta para aquele momento foi “não” e eu não soube lidar com aquilo porque eles tinham me passado uma outra informação. Então, ele aceitou Jesus, eu retornei para os caminhos, e como eu já tinha uma certa bagagem, eu já conhecia alguma coisa a gente foi crescendo, só que por um determinado tempo, pelas dores, mágoas, tristezas eu parei e ele deu continuidade. Só que eu não vi o crescimento dele.

Guiame: Muitas mulheres se fecham totalmente quando acontecem alguns desajustes no lar ou até mesmo na igreja. Você passou por esse processo?

Mary: Não, não passei, porque como falei, ele era simples demais e eu não tinha dimensão de quem ele era e ele sempre me deixou à vontade. Uma das minhas maiores gratidões a ele, e hoje eu sou leal, fiel e dou honra a ele foi devido ele esperar o tempo do meu amadurecimento.


Guiame faz entrevista exclusiva com Pra. Mary Duarte. (Foto: Guiame/Marcos Corrêa)

Guiame: Qual foi a palavra que te levou para o despertamento?

Mary: Foi que eu era um diamante, que precisava ser lapidado, e que o garimpeiro passa o dia inteiro, às vezes, semanas garimpando, junta lixo e às vezes consegue pequenos grãos de ouro. E o grão de ouro vale muito mais do que as montanhas de lixo. E eu comecei a ver a quantidade, a montanha de lixo que eu estava valorizando, e não os pequenos gramas de ouro, que era ter o meu marido, que era ter os meus filhos, que era estar viva, que era ter um Deus.

Guiame: A partir do momento que você também assumiu o ministério, há cerca de 4 anos, o que mudou?

Mary: Mudou muita coisa. Eu me tornei mais unida ao Cláudio. Eu viajo mais com ele, tenho visto a resposta das mulheres, embora muitas cheguem para mim com brilho nos olhos e falando “poxa eu estou tão feliz que você saiu da sombra do seu marido”, me tratando agora como sendo rival dele. Eu nunca fui, nunca serei rival de Cláudio Duarte. Eu sou grata a Deus pelo marido que Ele me deu, sou grata por poder levantar a bandeira da família e dos jovens junto com ele.

Guiame: Você abre sua palestra perguntando quem conhece o Cláudio Duarte. Aí é uma euforia, porque quem não conhece? Depois você pergunta quem conhece Mary Duarte. Por quê?

Mary: Só para medir… Para cair a ficha das pessoas e fazer elas pensarem: por que eu nunca conheci essa mulher? O que aconteceu? O que fez essa mulher ficar calada por tanto tempo? Será um golpe de marketing? Será que Cláudio Duarte está precisando de agenda? Não. É muito mais profundo do que isso. Porque a pergunta em todos os lugares que a gente vai e nunca quer se calar é: Cláudio Duarte é isso tudo dentro de casa? E eu tenho a dizer: Não. Ele é muito mais.

Guiame: Ele fala em suas pregações algumas coisas sobre que a gente vê sentido no casamento.

Mary: Ele é muito mais. Eu, na época que era bem violenta, a gente nunca chegou a se agredir fisicamente, mas sempre eu falando alto, de forma grosseira, porque assim eu fui criada devido ao estado de enfermidade da minha mãe… Então muitas vezes que eu ia brigar com ele, que queria discutir, queria machucar porque eu estava machucada, eu lembro que das vezes ele me disse: Isso, Mary, me bate, me xinga, me joga na parede, me chama de lagartixa. Eu olhava aquilo, ele me quebrava… Porque ele é do tipo “se a vida me der um limão eu faço uma limonada”. É um cara que lava as redes dele todos os dias. Ele não deixa acumular sujeira. E o mal do ser humano é deixar acumular sujeira. Porque a sujeira de hoje, com a sujeira de amanhã, a de depois de amanhã… Daqui a pouco você não tem nem como mais se limpar.

Guiame: O que você falaria para um homem hoje que está com uma mulher resistente ao seu ministério, à sua fé ou ao seu trabalho?

Mary: Eu daria o seguinte conselho: primeiro, faça uma pesquisa de campo, pare para pensar tudo o que ela passou lá atrás, pesquise a família dela. Vai ser muito mais fácil. Comece a conversar com ela, tenta saber onde dói mais e espere o tempo do amadurecimento, porque ele vai ter uma grande mulher ao lado dele.

Guiame: Deus faz a diferença no lar?

Mary: Totalmente. Sem Deus nós não somos nada. Sem Deus nós não conseguimos nada.

Guiame: Fale um pouco sobre seus filhos.

Mary: Meus filhos hoje estão vivendo um novo tempo. De uma família toda bagunçada, de uma mãe bagunçada, toda desgovernada, depois que eu decidi parar de coxear, na Bíblia diz entre dois deuses, mas entre dois mundos, entre seguir ministério, mas assumir verdadeiramente Deus, depois de ter passado todo tipo de coisa, eles estão vivendo uma nova fase. Hoje em dia nós somos todos uma família sacerdotal. Deus restaurou a gente de uma tal forma, que o Cláudio tendo ministério itinerante, um dia chegando em casa, de madrugada, o Senhor falou “Você vai abrir uma igreja neste alugar aqui, em Xerem. Ele poderia abrir igreja em qualquer outro lugar, mas foi ali, onde ele nasceu e foi criado, eu e ele, Deus decidiu honrá-lo. Ele costuma dizer e eu também, que aquilo ali é a nossa cama para o dia que a gente achar que é alguma coisa, quiser correr, dar cambalhota, fazer gracinha, é para a gente lembra de onde a gente veio.

Guiame: Como foi ministrar no Japão, do outro lado mundo?

Mary: Para mim foi uma honra muito grande. Um grande ensinamento, porque eu descobri que os japoneses têm pavor de desonra, derrota, vergonha. E eu tinha isso comigo. Eu não aceitava. Eu achava que eu era uma desonra para o ministério dele, uma desonra para Deus. E eu sempre me cobrei demais. E depois eu descobri que o preço já foi pago. E estar aqui no Japão, do outro lado do mundo, para uma mulher que vivia dentro de um quartinho, costurando, sozinha e de repente estar com um intérprete foi uma honra muito grande. E a prova de que Deus verdadeiramente existe para aqueles que estão dispostos a mudar, assumir o seu erro, porque não tente tapar o sol com a peneira, assuma seu erro. Fala “Senhor, eu errei, eu pequei, eu estou aqui, eu preciso de uma chance” e ele vai estender a mão. Mas enquanto você ficar querendo resolver as coisas com as suas próprias mãos, tentando se enganar – porque você está se enganando – as coisas não vão mudar.

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