ATUALIZADO: 1 de janeiro de 2019
(Imagem: Exame)
Sob um forte esquema de segurança terrestre e aéreo, o Presidente eleito Jair Messias Bolsonaro (PSL), tomou posse do cargo máximo da nação, na tarde deste primeiro dia do ano, em Brasília. O fato é considerado histórico, não apenas por ele se tornar o 38º presidente do país, mas também por encerrar a era PT, iniciada há 16 anos.
O desfile em carro aberto foi feito no tradicional Rolls-Royce presidencial, onde Bolsonaro e a esposa, Michele, saudaram os milhares de eleitores que compareceram à cerimônia de posse. Eles foram conduzidos ao Congresso Nacional, local muito familiar para o novo presidente, por se tratar do seu local de trabalho há 7 mandatos como Deputado Federal e, por tanto, há 28 anos.
Muito emocionado, entre lágrimas e sorrisos, Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão, foram recebidos por parlamentares e convidados, que os saudaram e aplaudiram, fazendo questão de compartilhar o momento de alegria. Presidente e vice leram o compromisso constitucional e assinaram o termo de posse, cumprindo o protocolo legal da cerimônia, dirigida pelo presidente do Senado, o doutor Eunício Oliveira.
Discurso
Em seu primeiro discurso como presidente, Bolsonaro agradeceu a Deus por estar vivo, prometeu mais uma vez, respeitar a constituição brasileira e lutar contra a corrupção para promover o desenvolvimento da nação:“Hoje aqui estou fortalecido, emocionado e profundamente agradecido à Deus pela minha vida e aos brasileiros, que confiaram a mim, a honrosa missão de governar o Brasil, neste período de grandes desafios e ao mesmo tempo de enorme esperança”.
Durante todo o discurso, que durou cerca de dez minutos, o presidente falou sobre a importância do apoio do Congresso em seu governo: “Convoco cada um dos congressistas para me ajudarem na missão de restaurar e de reerguer nossa pátria, libertando-a definitivamente do julgo da corrupção, da criminalidade da irresponsabilidade econômica e da submissão ideológica”.
Ele continuou, falando que a oportunidade de reconstrução do país e do resgate da esperança dos brasileiros se apresenta diante de grandes desafios, mas que alcançará êxito à medida que a voz do povo seja ouvida. Bolsonaro também relembrou alguns pontos prometidos durante sua campanha: “Vamos unir o povo, valorizar a família, respeitar as religiões e nossa tradição judaico-cristã, combatendo a ideologia de gênero, conservando nossos valores, o Brasil voltará a ser um país livre das amarras ideológicas”.
O presidente ainda mencionou o apoio popular: “Minha campanha eleitoral atendeu ao chamado das ruas e forjou o compromisso de colocar o Brasil acima de tudo e Deus acima de todos. Por isso, quando os inimigos da pátria, da ordem e da liberdade tentaram por fim à minha vida, milhões de brasileiros foram às ruas. Uma campanha eleitoral transformou-se em um movimento cívico, cobriu-se de verde e amarelo, tornou-se espontâneo, forte e indestrutível, e nos trouxe até aqui”.
Dentre os convidados estrangeiros, 11 chefes de Estado e de governo estiveram presentes na posse, além de vice-presidentes e chanceleres. Destaque para Benjamin Netanyahu, primeiro ministro de Israel, com quem Bolsonaro tem estreitado laços, prometendo retribuir a visita, ainda neste ano.
O Presidente Norte Americano Donald Trump se manifestou através do Twiter. Ele saudou o novo presidente do Brasil e elogiou o discurso feito no Congresso.
Por volta das 16:40 horas, horário de Brasília, Jair Bolsonaro foi saudado por 21 tiros de canhões, ao som do hino nacional, como manda a tradição. Logo em seguida, ele que também é o comandante das forças armadas, passou em revista da guarda nacional, composta pela marinha, exército e aeronáutica. Por fim, o ex-presidente Michel Temer entregou-lhe a faixa presidencial no parlatório do Palácio do Planalto.
Michele se manifestou ao público em libras, agradecendo aos eleitores, a Deus, à família e amigos, pelos momentos difíceis que passaram juntos. Ela ainda falou que como primeira dama, poderá contribuir e trabalhar pelas pessoas que não tinham voz.
No segundo discurso do dia, Bolsonaro fez o seu pronunciamento à nação e disse que só chegou ali por que Deus preservou a sua vida e por conta do crédito dos brasileiros. Ele falou sobre educação, segurança, legítima defesa, valorização dos policiais, corrupção, dentre outros assuntos que permearam toda a sua campanha e seus discursos como parlamentar. “Vamos, dia e noite, perseguir o objetivo de tornar o nosso país um lugar próspero e seguro para nossos os cidadãos e uma das maiores nações do planeta”. E finalizou segurando a bandeira do Brasil: “Essa é a nossa bandeira, que jamais será vermelha, a não ser pelo nosso sangue, para mantê-la verde e amarela”.
A cerimônia de posse foi acompanhada dentro e fora do Brasil, através da Tv e internet. Do Rio Grande do Sul, o Apóstolo Joel Engel agradeceu a Deus e disse ter valido a pena ter orado trinta anos pelo país, pela queda do comunismo e pelo surgimento de um presidente temente a Deus: “Deus superou as nossas expectativas e abundou para a direita e para a esquerda, fazendo jus ao nosso tema desse ano. Abençoou para a direita, representando o homem, para a esquerda, representando a mulher, e assim, restituindo o plano original, gerado em Adão e Eva, os dois juntos governando. Pela primeira vez na história vemos isso em nossa nação, além da unidade com Israel, que reata novamente a bênção de Deus sobre nós. Essa vitória é de toda a Igreja, através das orações de todos os intercessores, a quem quero agradecer e louvar a Deus. Obrigado”.
Corrida Presidencial
Primeiro militar eleito por voto popular, no dia 28 de outubro, o candidato do PSL derrotou o petista, Fernando Haddad, no segundo turno das eleições 2018, com 55% dos votos. Foi a primeira vez que o capitão reformado do Exército e deputado federal desde 1991, disputou uma eleição à presidência, se elegendo através de uma campanha considerada simples, com pouco recursos e que contou quase que exclusivamente com as redes sociais.
Com um discurso conservador, contrário à corrupção, ao PT e ao próprio sistema político, Jair Messias Bolsonaro assume o cargo máximo da nação aos 63 anos, nutrindo expectativa de milhões de brasileiros que vislumbram no “mito”, uma esperança de um futuro próspero e mais justo.
Em uma eleição sem precedentes, Bolsonaro se tornou um fenômeno e conquistou a simpatia da maioria dos evangélicos, contando com o apoio de vários pastores e líderes influentes. Mesmo com todos os fatores contrários, como pouca verba, uma legenda partidária pouco expressiva, um atentado que quase tirou a sua vida e o deixou fora dos debates e de boa parte da campanha, Bolsonaro é o novo presidente do Brasil. De acordo com a última pesquisa do CNI/IBOPE, 64% dos brasileiros acreditam que seu governo até 2022, será ótimo ou bom.
Joel Engel