Pergaminhos da Torá escapam de incêndio no Museu Nacional

Os rolos foram tirados do museu e transferidos para Biblioteca do Horto, na Quinta da Boa Vista, antes de destruição.

FONTE: MINISTÉRIO ENGEL, COM INFORMAÇÕES DW BRASIL

ATUALIZADO: 6 de setembro de 2018

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O pergaminhos da Torá foram adquiridos por Dom Pedro II, que era um estudioso da cultura hebraica. (Foto: Arquivo/Museu Nacional)

Nesta terça-feira (4) o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) confirmou que nove rolos de pergaminhos da Torá escaparam do incêndio que atingiu o Museu Nacional no último domingo, no Rio de Janeiro. Os rolos foram transferidos para a Biblioteca do Horto, na Quinta da Boa Vista, antes de destruição.

Os pergaminhos datados de 400 a 1.000 anos atrás, conhecidos como “Pergaminhos Ivriim”, foram tombados pelo Iphan em 1998, em razão da importância arqueológica e bibliográfica dos manuscritos. As peças estavam preservadas em um local seguro no momento do incêndio, pois foram transferidas antes do incidente.

Historiadores afirmam que os rolos foram adquiridos pelo imperador Dom Pedro 2º, pois ele era um estudioso da cultura hebraica e teria adquirido o Livro Sagrado do judaísmo, passando a pertencer posteriormente ao Museu Nacional. Os manuscritos foram confeccionados no Iêmen, por volta do século 13, segundo pesquisadores.

Osias Wurman, Cônsul honorário de Israel no Rio de Janeiro, afirma que os pergaminhos estão entre os dez documentos mais antigos do judaísmo e que eles estão sendo restaurados e por isso haviam sido transferidos para a Biblioteca do Horto.

“A Torá reúne os livros que Moisés teria recebido de Deus. Na religião judaica, uma Torá precisa ser aberta e fechada ao menos três vezes por semana, então, é um documento que precisa de constante cuidado. Por isso, está em restauração no Horto”, disse Wurman.

O Museu Nacional contava com um acervo com mais de 20 milhões de peças, sendo que a maior parte pode ter sido completamente destruída pelo fogo. Muitas das peças que pertenciam ao museu eram consideradas as mais importantes do continente americano, como coleções de arqueologia e paleontologia.

Administrado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Museu Nacional foi fundado há 200 anos, por Dom João 6º. Funcionários do museu já trabalham no local do incêndio para ver se outros artefatos raros, que estavam em cofres e armários de aço, podem ter resistido às chamas.

A preservação dos pergaminhos da Torá teve repercussão internacional e jornais israelenses destacaram o fato de os manuscritos terem escapado do incêndio. Alguns destes jornais entraram em contato com a comunidade judaica no Rio de Janeiro para saber se os pergaminhos haviam sido danificados.

 

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