ATUALIZADO: 21 de janeiro de 2019
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A Record foi a primeira emissora de televisão aberta a ganhar a atenção de Michelle Bolsonaro, 20 dias depois da posse do marido. A entrevista de aproximadamente 15 minutos foi exibida ontem à noite, no Domingo Espetacular. A equipe do jornalista Eduardo Ribeiro, foi recebida no Palácio da Alvorada, em Brasília, a nova moradia da família presidencial. “A cama nova, não tinham os nossos travesseiros, então realmente não foi tão fácil para mim também, mas a gente está se adaptando”, declarou Michelle, dizendo ter saudade da casa do Rio de Janeiro, mas, ao mesmo tempo, feliz por ter retornado à Brasília, local onde conheceu Jair Bolsonaro.
Ao ser chamada de ‘primeira-dama’, a anfitriã fez uma pausa e simpaticamente corrigiu Eduardo: “pode me chamar de Michelle”.
Quebrando os protocolos
A primeira-dama revelou que até hoje não assistiu à própria apresentação na cerimônia de posse, apesar de tê-la recebido por diversas vezes, através do What’sApp. Contou ainda que segurou a surpresa o máximo que pode, tanto do cerimonial, quanto do presidente, contrariando as especulações de que o discurso em libras teria sido uma estratégia de marketing da sua assessoria: “Foi algo muito natural e foi uma paz vinda realmente de Deus, por que eu nunca me imaginei falando com uma população, eu não consigo falar nem na minha Igreja. Foi um momento muito divino”.
Segundo Michelle, a ideia do discurso surgiu dez dias antes da posse. O segredo, guardado a sete chaves por ela e a interprete que leu o texto, só foi revelado ao cerimonial um dia antes da posse e ao marido, 2 horas antes.
Pela primeira vez em uma cerimônia de posse, o hino nacional foi interpretado por um surdo, em libras: “Eu sabia que se Deus abençoasse o meu marido, eu tinha que fazer algo por eles, porque é algo que me move, eu tenho muito carinho, muito amor por eles então eu queria que eles sentissem que era sincero, eu precisava desse momento para demonstrar o meu amor por eles”, disse, referindo-se à comunidade surda.
O público presente também contribuiu para mais uma quebra de protocolo. Ao som de um enorme coral que gritava “beija, beija”, Michelle beijou duas vezes o marido. “Eu estava fazendo o discurso em LIBRAS, mas eu não sou surda, e escuto o meu marido pedindo o beijo. Eu virei e o beijei. Quando eu retorno para o discurso, ele fala ‘beija de novo’, eu voltei para trás e beijei de novo”. A demonstração de amor arrancou muitos aplausos de quem estava ali presente.
Um olhar para quem precisa
Eduardo Ribeiro lembrou que através do discurso, a primeira-dama chamou para si uma grande responsabilidade em relação à inclusão social das pessoas a quem ela sempre fala que se sentem esquecidas. A isso Michelle respondeu, falando da sua enorme satisfação até o momento, pois as pessoas ditas ‘normais’ já conseguem enxergar os surdos de maneira diferente. Muitos estão se interessando em aprender a Língua Brasileira de Sinais, por exemplo, então, para ela, é uma questão de educar a população para esse tipo de inclusão e a respeitarem os direitos que eles já adquiriram: “Começou com a comunidade surda, mas acabou englobando pessoas com deficiências, síndromes e doenças raras, então, essa é a minha bandeira, essa é a minha luta e eu sei que eu tenho esse chamado”, afirmou, rebatendo as críticas sobre uma possível tentativa de assistencialismo.
Michelle aproveitou o momento para falar sobre voluntariado e os projetos que desenvolve através da Igreja Batista Atitude, onde congrega no Rio de Janeiro. “Eu fiz um trabalho voluntário no Rio de Janeiro, no lixão, em Gramacho, a gente tem um projeto da nossa Igreja, e a gente está querendo implementar o esporte naquele lugar, porque a gente sabe que o esporte tira essas crianças das drogas. A gente vai estar dando a oportunidade deles terem uma profissão, então eu vejo que, com carinho e administrando bem, a gente consegue fazer algo por essas crianças”.
Aproveitando o momento, Michelle também falou sobre a repercussão do convite feito à Priscila Gaspar para ocupar uma função na Secretaria Nacional da Pessoa com Deficiência, algo que a mídia noticiou como influência: “A Priscila Gaspar tem um currículo invejável, ela é uma surda bilíngue, professora da PUC em São Paulo, ela vem de uma família de surdos, tem três filhas surdas, então olha a maldade. Eu esperava (uma manchete) assim ‘A primeira surda da história a ocupar uma vaga no governo’, algo que fosse abrilhantar (…) e não foi. Foi como se eu estivesse fazendo ‘a farra das amigas’, e não foi isso, mas ela é muito forte”.
O legado que a primeira-dama quer deixar é o de ajudar e ser sensível às causas, disse, encerrando a entrevista.
Joel Engel