Como devemos enxergar o dinheiro? Pastor fala sobre o princípio da Tzedaká

Na prática da Tzedaká, somos instruídos a separar 10% dos ganhos para a justiça social.

FONTE: GUIAME, LUANA NOVAES

ATUALIZADO: 1 de fevereiro de 2024

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(Foto: Monstera Production/Pexels)
(Foto: Monstera Production/Pexels)

Por toda a Bíblia, é possível observar Deus ordenando seu povo a abençoar os pobres e pessoas vulneráveis. Uma prática observada pelos hebreus desde os tempos antigos é a Tzedaká — ou seja, deve-se separar 10% dos ganhos para a justiça social.

Para os judeus, a Tzedaká é vista como o maior segredo para a prosperidade. Afinal, a Tzedaká é um princípio apenas do judaísmo ou deve ser praticado por cristãos? O pastor Joel Engel ensina que há muitas interpretações erradas a respeito dos termos bíblicos originais e que é preciso se aprofundar nestes princípios.

“Uma das maiores interrogações está no conceito de Tzedaká, que é compreendida de maneira errônea e muitas vezes traduzida de forma distante do seu conceito original”, avalia Engel.

Muitas vezes, Tzedaká é traduzida como “caridade”, mas seu conceito vai muito além disso. É o que mostra o texto de Deuteronômio 15:7-8:

“Se houver algum israelita pobre em qualquer das cidades da terra que o Senhor, o seu Deus, lhe está dando, não endureçam o coração, nem fechem a mão para com o seu irmão pobre. Ao contrário, tenham mão aberta e emprestem-lhe liberalmente o que ele precisar.”

“Desse texto bíblico da lei sai a ordem das ofertas de Tzedaká, que é traduzida de maneira errônea como doação de caridade, mas na realidade se traduz como justiça social”, esclarece o pastor.

A palavra Tzedaká tem raiz na palavra hebraica Tsedek, que significa justiça. Partindo deste ponto, Engel explica: “Quando você observa a raiz da palavra Tzedaká, você passa a entender que vai além da caridade, mas é uma oferta que precisa alcançar os quatro níveis de necessidade humana: física, emocional, material e espiritual.”

Tzedaká não é mandamento, mas agrada o coração de Deus

O pastor destaca que há uma diferença entre mandamento e instrução: “Mandamento é algo que devemos cumprir apenas por ser mandamento. Tem que ser vivido sem o desejo de recompensa além, pois o mandamento, por si mesmo, gera vida e mostra o amor que temos de forma altruísta para com nosso Senhor”.

E continua: “Por sua vez, uma instrução gera recompensa, e nós só poderemos viver o nível da instrução quando vivemos o nível do mandamento, pois nossa vida dentro dos mandamentos mostrará ao Pai que somos confiáveis para cumprir uma instrução. E a cada instrução cumprida, temos de volta uma recompensa.”

Por exemplo, um filho que não é recompensado por falar a verdade — já que isso é um mandamento dos pais e o torna uma pessoa de caráter íntegro. “Mas se você orientá-lo a ir ao mercado com R$ 50 e uma lista de compras, e ele voltar com todas as compras e um troco de R$ 2, o que você diz? ‘Fique com o troco!’ Por que? Ele cumpriu uma instrução que, por sua vez, gerou uma recompensa.”

Sendo assim, Engel explica a diferença entre o mandamento do dízimo e a instrução da Tzedaká.

“Quando Deus estabelece o dízimo como a décima parte da renda, Ele está colocando tanto ricos como pobres em igual responsabilidade. Todos devem, dentro de suas condições, dar suas ofertas de justiça e tanto a doação de um rico, como a de um pobre, será vista por Deus com o mesmo peso”, afirma.

“A oferta de tzedaká também representa uma oferta de amor, pois ajuda o doador a se colocar no lugar do outro, demonstrando amor e justiça. O tratamento que oferecemos através desta doação é aquele que gostaríamos de receber. Se um dia, seja pelos acontecimentos ou pelo avanço das gerações, precisarmos de doações, ou algum dos nossos descendentes venha a necessitar, teremos créditos diante de Deus”, acrescenta.

E ensina: “Quando reconhecemos que tudo o que possuímos é apenas um penhor oferecido pelo Arquiteto da Vida para nossa administração, então fazemos aquilo que o legítimo dono ordenou que fizesse: ofertas de justiça.”

Como cumprir o Tzedaká de forma prática?

O pastor afirma que, de acordo com o judaísmo, existem oito níveis de caridade, sendo o nível 1 o mais elevado e, o nível 8, o mais baixo. Esta hierarquia foi estabelecida por Rambam, Maimônides (1135-1204), um dos grandes codificadores das Lei Judaica:

1) Dar um presente, emprestar dinheiro, aceitar como sócio ou arrumar trabalho para alguém, antes que ele precise pedir caridade;

2) Fazer caridade com um pobre, onde ambos o doador e o receptor não sabem a identidade um do outro;

3) O doador sabe quem é o receptor, mas o receptor não sabe quem é o doador;

4) O receptor sabe quem é o doador, mas o doador não sabe para quem está doando;

5) O doador dá algo a um pobre antes mesmo de lhe ser pedido;

6) O doador dá algo a um pobre depois de lhe ser pedido;

7) O doador dá menos do que deveria, mas o faz de uma maneira agradável e com um sorriso;

8) O doador faz a caridade com avareza (ele sente incômodo neste ato, mas não o demonstra).

Por fim, o pastor incentiva a se aprofundar nos princípios bíblicos e ampliar a visão em relação às finanças, para que a justiça de Deus seja feita também através de nossos recursos.

“Saímos desse conceito de uma simples oferta de caridade e passamos para outro nível de entendimento que, se ofertarmos nesse nível, podemos compreender que: cumprindo uma instrução temos recompensa, cumprimos a justiça, confortamos a outros e vemos a abundância que Deus nos deu. Esses são alguns segredos revelados da Tzedaká e seus múltiplos benefícios.”

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