Igreja Católica protesta contra lei que define Israel como nação judaica

O Patriarcado Latino de Jerusalém criticou a lei que define Israel como um estado exclusivamente judeu.

FONTE: GUIAME, COM INFORMAÇÕES DO JEWISH NEWS SYNDICATE

ATUALIZADO: 2 de agosto de 2018

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O chefe da Igreja Católica Romana em Israel, Pierbattista Pizzaballa, em procissão no Domingo de Páscoa. (Foto: AFP/Gali Tibbon)

O Patriarcado Latino de Jerusalém, que representa a Igreja Católica Romana em Israel, divulgou um comunicado na segunda-feira (30) criticando a nova Lei de Nacionalidade, que define o país como um estado exclusivamente judeu.

Um dos pontos criticados pela Igreja Católica é a discriminação dos palestinos de Israel que, segundo a arquidiocese, “estão flagrantemente excluídos da lei”.

“Os cristãos de Israel têm as mesmas preocupações que quaisquer outras comunidades não-judaicas em relação a esta lei”, disse a organização em um comunicado, convidando os católicos a protestarem contra a decisão.

“[Apelamos] aos israelenses que ainda acreditam no conceito básico de igualdade entre os cidadãos da mesma nação, para expressar sua oposição a esta lei e aos perigos que ela oferece para o futuro deste país”, acrescentou.

Com a Lei da Nacionalidade, o árabe deixou de ser uma língua oficial e ganhou “status especial”, tornando apenas o hebraico como idioma oficial de Israel. A lei também reconhece Jerusalém como capital de Israel, codifica o calendário judaico como calendário oficial do estado e encara feriados judaicos como oficiais.

Embora a legislação oficialize a cultura judaica, os direitos das minorias de usar seus próprios idiomas, calendários ou celebrar as suas próprias festas não são afetados.

De acordo do governo de Israel, nos últimos anos, tem havido cada vez “mais tentativas de questionar e negar o direito do Povo Judeu a sua pátria nacional”. “Por causa dessa situação, o Knesset elaborou uma legislação que deixa claro que o Estado de Israel é o lar nacional do povo judeu”, declarou o consulado de Israel em nota.

Tradição ou democracia?

O governo tem enfrentado ampla oposição internacional e local à lei, que vem sendo defendida pela comunidade judaica por reforçar os fundamentos de Israel.

“Em primeiro lugar, para mim, sempre foi óbvio que Israel é um Estado cujo trabalho é proteger o povo judeu. Em segundo lugar, ser uma incubadora de valores e cultura judaica e em terceiro lugar ser um país que é uma luz para as nações”, disse Yishai Fleisher, porta-voz internacional da comunidade judaica em Hebron ao site Breaking Israel News.

Fleisher vê a identidade judaica de Israel e a democracia como valores conflitantes — um surgiu na antiga Judéia e outro no império grego ocidental.

“Um dos grandes erros foi que nós promovemos Israel como judeu e democrático, como se esses dois valores fossem iguais”, destacou. “A democracia é uma palavra grega, ela reflete os valores gregos e é muito difícil fazer com que esses dois sistemas muito diferentes de pensamento sejam iguais”.

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