As 4 faces do amor

Maria de Betânia atingiu o 4° nível de amor. Ela representa a “noiva” pronta para o casamento.

FONTE: Guiame, Joel Engel

ATUALIZADO: 3 de Maio de 2018

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Na última semana antes de Sua crucificação, Jesus Cristo é questionado por um fariseu a respeito do mandamento mais importante, pois essa era uma discussão comum para os religiosos, que haviam elaborado mais de 600 mandamentos e constantemente procuravam debater sobre qual deles seria o mais importante.

A resposta de Jesus Cristo sobre a pergunta daquele doutor da lei foi respondida, citando Deuteronômio 6.5: “Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças”. E acrescenta dizendo que o segundo mais importante é Levítico 19.18: “Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor”.

Ao citar estes dois mandamentos, Jesus Cristo diz que a pessoa que os obedece está obedecendo a todos os outros. Ou seja, o Mestre fez um resumo dos dez mandamentos e dos mais de 600 mandamentos morais estabelecidos pelos fariseus. Ele estava dizendo que a nossa preocupação deveria estar em demonstrar o amor de Deus e não em andarmos preocupados com aquilo que não devemos fazer.

Eu chamo o ensino de Jesus, sobre o mandamento mais importante, de o amor nos 4 níveis: espiritual, emocional, físico e material. É o tipo de amor que Jesus Cristo demonstra ser necessário para cumprir todos os mandamentos de Deus. Primeiro, através de uma vida devocional dedicada ao Senhor. E, em seguida, através de seu relacionamento social, demonstrando o amor de Deus ao próximo.

Pode-se mencionar, por exemplo, o amor de Deus pela humanidade: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16). E é o tipo de amor que Jesus Cristo veio demonstrar na prática, através de sua morte na cruz. Ele nos amou com todas as suas forças, emoção e com toda a sua mente e coração.

Em toda a Bíblia nós podemos encontrar palavras diferentes para designar cada tipo de amor, demonstrando suas várias formas: amor entre amigos, entre família, entre casais, etc. Cada um dos tipos de amor designa a intenção do coração e o objetivo pelo qual ele está sendo demonstrado e é traduzido pelo uso das quatro palavras: Eros, storge, fileo e ágape.

Eros é o tipo de amor erótico, amor que é estabelecido pela atração física e pelo desejo sexual. É o tipo de amor interesseiro, que busca satisfazer os impulsos e que é estabelecido pela intimidade sexual. Para os cristãos este amor só deve ser cultivado dentro do matrimônio, pois é um amor de intimidade.

O amor storge é o amor estabelecido entre os familiares, seja pelos laços de sangue ou pelos sentimentos de afinidade. Esse é o amor que surge devido ao ambiente, ao fato de compartilharmos as mesmas vivencias diárias. É um amor muito especial, pois é um dos mais fortes que podemos sentir.

Já o amor filos, é o amor que existe entre amigos. Amor que cresce com a convivência e com o crescimento da afinidade. É o tipo de amor que é traduzido na Bíblia como amor fraternal (Romanos 12.10), pois designa a fraternidade e o carinho mútuo.

Mas o grande amor, aquele amor que podemos chamar de amor perfeito, é o amor ágape. Este amor é incondicional. É o amor descrito em 1 Coríntios 13.4-7. É o amor que é inexplicável, pois não cresce por meio de condições e trocas, mas pela escolha pessoal de amar. É tipo de amor demonstrado pelo Arquiteto da Vida.

Quando Jesus respondeu ao fariseu sobre o maior dos mandamentos, Ele estava vivendo sua última semana. Cristo havia escolhido passar esta última semana próximo dos amigos e familiares. Ele tinha a amizade dos discípulos (João 15.14 e 15), tinha o amor de seus familiares (Mateus 12.47) e tinha o amor de Deus.

Agora, Jesus está em Betânia para um jantar com a presença daqueles que demonstravam cada um dos tipos de amor (João 12.3), mas é uma mulher chamada Maria quem surpreende a todos com uma oferta que enfatiza a importância deste sentimento para com o Mestre.

Maria ofertou a Jesus Cristo um unguento valioso, um vaso cheio daquela essência cujo valor era o equivalente a um ano de salário. O vaso era de Alabastro, uma cidade do Egito, e o unguento era de nardo puro, feito na Índia. Mas ela não teve problemas de ofertar, ela deu o seu melhor ao Senhor Jesus, mostrando o valor do seu amor.

Judas naquele momento ficou indignado com aquela atitude, pois considerava que aquela oferta poderia ser vendida e o dinheiro usado no ministério de Jesus Cristo. Judas demonstrava um tipo de amor que buscava o próprio interesse, que almejava satisfazer sua vida física, o amor eros.

Nós sabemos que esse é o amor do desejo, o amor da atração, o amor da paixão, esse é um amor interesseiro. O próprio coração de Judas era a manifestação deste amor, o desejo apenas de seguir a Jesus pensando que ele derrotaria o império romano e então os que estivessem do seu lado seriam exaltados. Como isso não aconteceu, Judas vai vender Jesus por um preço qualquer.

Judas pede aquilo que pudessem pagar a ele: “E disse: Que me quereis dar, e eu vo-lo entregarei? E eles lhe pesaram trinta moedas de prata” (Mateus 26.15). O amor interesseiro de Judas acabaria no momento em que aqueles que queriam acabar com Jesus Cristo pagassem a ele algumas moedas.

Já Simão, o religioso judeu, parente de Jesus, este tem o amor storge. É o amor familiar, um amor que Jesus quase não experimentou, pois seus familiares não podiam compreender o propósito da sua existência. É por isso que Jesus ensina que os seus familiares são aqueles que entendem que a vontade de Deus deve ser cumprida (Mateus 12.50).

Por outro lado, Jesus tinha o amor fraterno dos discípulos, um amor que demonstra reciprocidade, mas que não leva uma pessoa a entregar sua vida pela outra, é um amor de amizade, um amor que Jesus recebeu de Pedro: “E, depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes? E ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta os meus cordeiros” (João 21.15).

Pedro respondeu a Jesus dentro do amor fileo, e Jesus estava buscando um nível de amor maior, um nível que doasse sua própria vida, Pedro entendeu isso depois de tudo, então foi convidado a ofertar o mais alto nível de oferta, que foi sua própria vida.

Porém, o amor ágape, o amor que nos faz casar com Cristo, esse é o amor do próprio Deus por nós, que oferta o seu melhor para beneficio de nossas vidas. O amor ágape é o amor que supera todos os outros, que ultrapassa o comum. Que vai além dos oportunistas (Eros), o amor que vai além da família instável (storge), que vai além de uma amizade que se limita ao comum do que pode ser feito.

Esse amor foi encontrado em Betânia: “Então Maria, tomando um arrátel de unguento de nardo puro, de muito preço, ungiu os pés de Jesus, e enxugou-lhe os pés com os seus cabelos; e encheu-se a casa do cheiro do unguento” (João 12.3).

A oferta de Maria demonstrava o tipo de amor que ela tinha por Jesus Cristo. Assim como Deus deu o seu filho para salvar a humanidade, demonstrando todo o seu amor. Maria deu a Jesus Cristo o que ela tinha de mais precioso.

Judas tinha o menor nível de amor, pois queria dinheiro, status e poder. Representa o tipo de cristão que só procuram Jesus por causa dos benefícios de segui-lo. O religioso, Simão, ama até o nível de família ou parente, mas não é capaz de grandes sacrifícios. Os discípulos alcançaram o nível de “amigos” que amam com mais intimidade, mas este ainda não era o maior amor.

Maria de Betânia atingiu o 4° nível de amor. Maria representa a “noiva” pronta para o casamento. Jesus via o coração e testava as pessoas na hora da oferta. Judas tirava das ofertas para pagar suas despesas pessoais. O religioso e os amigos ou parentes só dão o que lhes é exigido por lei ou mandamento: estes são aqueles que estarão salvos no milênio vivendo como pessoas normais, mas não terão corpos glorificados como a igreja .

Mas a pessoa que ama com todas as forças dá sua oferta como Maria de Betânia e será exaltada como a noiva arrebatada para viver junto ao Eterno.

Jesus está em busca de um amor incondicional, que ultrapasse o que é comum, que hoje, no dia que antecede a lembrança da crucificação de Jesus, nós possamos ama-lo e entregar a ele o que temos de melhor, nosso amor com tudo que somos e com tudo o que temos.

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