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Ministério Engel

O cordeiro, a oferta da Páscoa

Abr 02
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Existe um livro citado no Sidur (livro litúrgico judaico), Shevet lehudá, que conta o relato de uma testemunha ocular, um procurador romano que governou Jerusalém pouco antes da destruição do segundo Templo, que assistiu à cerimônia do sacrifício de Páscoa. 

A sua descrição detalhada corresponde à imensa quantidade de leis e minúcias ordenadas pela Torá e pelos sábios rabinos judeus. Ele também narra a beleza da solenidade e a impressão que esta lhe causou. O seu relato nos permite apreciar a enormidade da perda que sofremos e nos impulsiona a orar a Deus para que Ele nos restitua a revelação do verdadeiro significado do serviço no Seu Grande Templo, em Jerusalém.

Quando chega o mês que eles chamam de Nissan, mensageiros são enviados aos arredores de Jerusalém por ordem do rei e dos tribunais. Eles têm a missão de ordenar a todos que tragam cordeiros e bovinos à cidade, para que os peregrinos possam se alimentar e oferecer sacrifícios. Quem desobedece a essa ordem tem todos os seus bens confiscados para uso no Santuário.

Todos os donos de animais correm para atender ao chamado. A caminho de Jerusalém eles guiam os seus rebanhos e manadas por um rio para limpá-los de qualquer sujeira. Quando chegam às montanhas que circundam Jerusalém, eles são tão numerosos que nem se consegue avistar a grama – é tudo branquidão, devido à brancura das lãs de tantos cordeiros.

Ofertando o cordeiro

A oferta, que eles chamam de Pêssach – é trazida no dia 14 do mês. Quando chega o dia 10 do mês, eles saem e adquirem um animal para sacrificar. Enquanto esperam enfileirados para fazer a compra, ninguém pede para passar na frente nem oferece o seu lugar – nem mesmo para alguém do nível do Rei David ou do Rei Salomão.

Eu perguntei aos sacerdotes se esse era um comportamento correto, e eles responderam que o propósito disso é mostrar que perante Deus ninguém tem prioridade na preparação de Sua oferta, e menos ainda na execução de Seu serviço. Nessas situações todos são iguais.

Quando chega o dia 14 do mês, eles sobem em uma torre alta do Templo que possui uma plataforma semelhante a um campanário, pegam três trombetas de prata e as tocam. A seguir, eles anunciam: Povo de Deus, ouve! Chegou a hora de ofertar a nossa oferta de Páscoa em nome Daquele que fez morar nessa casa sagrada o Seu nome. 

Ao ouvirem essa proclamação, todos vestem roupas festivas, pois, a partir do meio-dia, esse dia passa a ser considerado festivo, devido à realização das ofertas.

Os 12 levitas

Fora do acesso ao grande pátio, há 12 levitas portando bastões de prata. Dentro, há outros 12 portando bastões de ouro. Os levitas de fora são encarregados de manter a ordem entre os peregrinos para ninguém se ferir em meio a toda a agitação e para que não haja tumultos nem brigas na entrada do pátio. Os levitas de dentro são encarregados de manter a ordem entre os que deixam o pátio; eles fecham os portões do pátio quando o espaço fica lotado.

No lugar onde se abate o sacrifício, há fileiras de sacerdotes com colheres de prata e ouro nas mãos. Os sacerdotes de uma fileira têm na mãos colheres de prata, e os de outra fileira, colheres de ouro; tudo isso é extremamente bonito e esplendoroso.

O sacerdote que encabeça cada fileira recebe uma colher de sangue do animal abatido e passa-a ao seu colega, que por sua vez passa-a ao seu colega, até chegar ao Altar. O sacerdote mais próximo do Altar devolve a colher vazia e esta é passada de mão em mão até chegar ao final da fileira. O procedimento é tal que cada sacerdote recebe uma colher cheia numa mão e uma colher vazia na outra, e as colheres vão e voltam ininterruptamente. Eles são tão ágeis nesse serviço e as colheres passam tão rápido que parecem flechas lançadas por um atirador exímio.

Ofertando com alegria 

Os sacerdotes passaram 30 dias praticando esse procedimento, para ficarem traquejados e poderem desempenhar essa função sem erro.

Ali há duas plataformas elevadas nas quais ficam dois sacerdotes segurando trombetas de prata. Eles as tocam toda vez que um novo grupo de sacrifícios é oferecido, para que os levitas, que se encontram nas suas próprias plataformas, saibam que é hora de começar a cantar o Halêl (cântico de júbilo) com alegria e gratidão, acompanhados de seus instrumentos musicais. O ofertante do cordeiro também recita o Halêl. Se o abate não estiver concluído, ele repete o Halêl. 

Abatidos os sacrifícios, os peregrinos seguem para os pátios, onde há ganchos de ferro e pinos nas paredes para que os animais abatidos sejam pendurados e esfolados. Há também feixes de varas para que, na falta de ganchos vazios para pendurar os animais abatidos, dois homens possam suspender uma vara entre os ombros e pendurar nela o animal. As partes do cordeiros a serem oferecidas no Altar são entregues, e o ofertante do cordeiro deixa a área feliz, como um guerreiro vitorioso retornando da batalha. Deixar de trazer o sacrifício de Pêssach no momento adequado é considerado muito vergonhoso entre os judeus.

Quando os sacerdotes executam essa tarefa, eles vestem túnicas vermelhas… para que nenhuma gota de sangue que cair sobre suas vestimentas seja notada. Eles permanecem descalços e as mangas das suas roupas chegam só até os cotovelos, para não atrapalhar o seu trabalho. Nas cabeças, eles usam um pequeno turbante feito de três cúbitos de tecido. Segundo me contaram, o sumo sacerdote usa um turbante feito de 40 voltas de tecido (para que nunca nos esqueçamos do tempo de peregrinação no deserto).

Um cordeiro por família

Os fornos usados para assar os sacrifícios ficam nas entradas das casas, segundo eles, para manifestar a fé que têm e para se alegrarem na festa. Depois que assam o sacrifício, eles o comem com muitos cantos de louvor que podem ser ouvidos de longe. 

Nenhum dos portões de Jerusalém é fechado nessa noite, em respeito aos muitos visitantes que passam pelas ruas e para demonstrar que eles não têm medo.”

Texto extraído da obra Livro do Conhecimento Judaico: O Ano Hebreu e Seus Dias Significativos [Sêfer Hatodaá], do Rabino Eliahu Kitov, adaptado para o ministério Joel Engel/Equipe editorial.

Fonte: www.ministerioengel.com

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Publicado em Pastor Joel Engel
Última modificação em Quinta, 05 Abril 2018 20:21

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