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Ministério Engel

Parashá Hukat (Estatuto)

Jun 26
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Nosso texto tem início com as palavras: “Falou mais o IHVH a Moshe e a Aharon dizendo: este é o estatuto da lei, que o IHVH ordenou, dizendo: Dize aos filhos de Israel que te tragam uma novilha ruiva, que não tenha defeito, e sobre a qual não tenha sido posto jugo” (Nm 19:1-2). Estas palavras mais uma vez trazem consigo a força daquele que se apresenta como IHVH: “Eu me torno aquilo que me torno”. Essa é a tradução da palavra “Senhor”. Tal forma de apresentação tornou-se comum do Eterno para com os filhos de Israel que quando isso assim ocorria eles prontamente sabiam que algo estaria para ocorrer!

 

No verso dois o Eterno ordena que os israelitas tragam-lhe uma novilha vermelha! Esta determinação é apresentada como “estatuto da lei”, ou em hebraico huqqâ torah! A palavra huqqâ significa “estabelecimento (de uma lei)”. Vem da raiz haqaq que significa “inscrever” ou “entalhar”. Já a palavra torah significa “ensino, lei”. Vem da raiz yarâ que significa “lançar, atirar, jogar, ensinar”. Também há a raiz yôreh, que significa “primeiras chuvas”. Isso nos mostra que esta determinação visa lançar um fundamento que se tornaria tão profundo que seria “entalhado” na vida dos israelitas. Tal fundamento seria posto através do ensino; nada seria imposto sobre os israelitas, eles não seriam constrangidos a obedecerem, mas o ensino lhes traria a vida necessária para que pudessem obedecer ao Eterno! E a obediência funcionaria na vida deles como as primeiras chuvas após uma seca: faria reverdecer tudo à sua volta e traria novamente a vida àquele lugar! Esta determinação – ensino – foi dada pelo Senhor. A palavra “Senhor” aqui é o tetragrama (IHVH)! Isso nos fala sobre a obediência do povo, pois caso obedecessem ao Eterno se tornaria para eles na solução de seus problemas e no preenchimento de suas necessidades. Caso contrário – havendo a desobediência – o Eterno se tornaria para eles em juízo e permitiria que a dor e o sofrimento viessem sobre eles!

É justamente por isso que o Eterno ordena que isso seja feito! A palavra vem do termo hebraico tsavâ e significa “ordenar, incumbir”. A raiz designa a instrução de um pai para seu filho, de um fazendeiro a seus lavradores ou de um rei a seus servos. Isso demonstra que não há qualquer intenção da parte do Eterno em que eles se submetam cegamente àquilo que está sendo dito! Eles poderiam escolher entre obedecer ou não! Os empregados são pessoas dotadas de livre arbítrio e podem – ou não – concordar e obedecer à seus patrões ou então desobedecem e certamente serão dispensados daquele trabalho! O Eterno busca em Israel – e também em nós – uma sujeição voluntária a seus preceitos! Não há necessidade de gritos ou de ameaças que possam trazer esta tão desejada sujeição, mas somente uma palavra que ensina e através deste ensino vivo viria uma disposição no coração dos israelitas para a obediência! Os israelitas deveriam levar ao Eterno uma novilha ruiva. A palavra “novilha” vem do termo parâ com o mesmo significado; já a palavra “ruiva” vem do termo adom e significa “vermelha, ou avermelhada”! Em sua raiz temos ainda a palavra adam que significa “sangue vermelho”. Esta novilha vermelha era um animal muito raro e portanto muito valioso! Ele deveria os pelos avermelhados para que se enquadrasse nas exigências do Eterno. Se houvessem dois pelos pretos, o animal seria considerado inapto para o sacrifício! Este animal, juntamente com outros objetos seria totalmente queimado e suas cinzas serviriam então para serem utilizadas na purificação ritual de uma pessoa que se tornasse impuro pelo contato com algum morto!

O texto a seguir nos mostra o que era queimado juntamente com a novilha vermelha: “Então queimará a novilha perante os seus olhos; o seu couro, e a sua carne, e o seu sangue, com o seu esterco, se queimará. E o sacerdote tomará pau de cedro, e hissopo, e carmesim, e os lançará no meio do fogo que queima a novilha” (Nm 19:5-6). A palavra “cedro” vem do termo hebraico erez com o mesmo significado. O cedro é uma árvore da família dos pinheiros e que cresce melhor em regiões altas e secas. O tamanho médio vai de 28 a 33 metros de altura. Ele espalha suas raízes sobre e entre as rochas conseguindo assim uma base segura. Um óleo especial do cedro impede-lhe a destruição pelo apodrecimento ou por insetos. O cedro simboliza a força, o esplendor e a longevidade. Já a palavra “hissopo” vem do termo hebraico ezôb com o mesmo significado. É uma planta pequena que cresce em muros, da família da hortelã. A palavra “carmesim” vem do termo hebraico tôla e significa “verme, escarlata, carmesim”. Elas denotam a fragilidade e a insignificância do homem! Esta novilha vermelha quando era queimada juntamente com estes objetos tinha o propósito de morrer para após sua morte ser usada na purificação dos homens! E isso também fica claro pelos objetos que representam aspectos do próprio homem, como o cedro que fala-nos sobre a estatura do homem, o seu posicionamento – lançando raízes sobre e entre as rochas – e também sobre a unção que deve estar sobre ele, impedindo-lhe a destruição pelos seus adversários! Em contrapartida vemos que o homem é muito frágil – como o hissopo – e somos até mesmo insignificantes diante de determinadas situações. A isso tudo temos ainda o aspecto da vida, que está no sangue, que é vermelho, e por isso é comparado com a escarlata, que mesmo com toda a sua vida, neste caso precisa morrer – ser queimada junto com a novilha – para trazer mais vida e pureza à outros homens!

O processo de purificação era bem elaborado e havia a necessidade de fazer-se a restituição da pureza ao tabernáculo do Eterno – o corpo onde D-us habita! O processo está descrito nos versos a seguir: “Aquele que tocar em algum morto, cadáver de algum homem, imundo será sete dias. Ao terceiro dia se purificará com aquela água, e ao sétimo dia será limpo; mas, se ao terceiro dia se não purificar, não será limpo ao sétimo dia. Todo aquele que tocar em algum morto, cadáver de algum homem, e não se purificar, contamina o tabernáculo do IHVH; e aquela pessoa será extirpada de Israel; porque a água da separação não foi espargida sobre ele, imundo será; está nele ainda a sua imundícia” (Nm 19:11-13). Pela descrição percebemos que a impureza do homem dura sete dias, ou seja, um ciclo que tem início e depois fim; quando esta pessoa cumprir o tempo determinado, então ele estará limpo! Novamente temos aqui algo profético: a água que purifica – composta da novilha e dos elementos acima citados – deveria ser aspergida sobre o impuro no terceiro dia para que ele pudesse então, ao sétimo dia ser considerado puro! O três nos fala sobre as três dimensões da vida humana – corpo, alma e espírito – e esta aspersão neste dia nos indica que a purificação daquela pessoa seria plena, atingindo todas as áreas da vida humana! O seu espírito receberia perdão, a sua alma seria curada de seus traumas e medos e seu corpo seria então restaurado com saúde plena!

O verso 13 nos dá uma dimensão ainda mais profunda desta condição humana, pois nos fala sobre o homem que tocar num morto, este será considerado então impuro! A palavra “algum” em hebraico é nepesh e significa “vida, alma, criatura, pessoa, mente”. O contato com os “mortos” não fazia bem para o povo de D-us! E este contato se estende também às “almas” mortas que transitam pelo nosso mundo! Isso nos fala sobre o nosso contato com pessoas que não temem ao Eterno e que de alguma forma podem nos influenciar e nos “contaminar” com a sua “falta de vida”. É interessante que o texto afirma que quem está nesta condição contamina o tabernáculo do Senhor! A palavra “contamina” vem do termo hebraico tame´ e significa “ser (ficar) impuro, imundo”. Já a palavra “tabernáculo” vem do termo hebraico mishkan com o mesmo significado. O tabernáculo era a tenda móvel que circulou pelo deserto com o povo durante sua peregrinação à caminho para terra que o Eterno prometeu aos seus filhos (Canaã)! O termo “Senhor” é o tetragrama – IHVH – e novamente temos aqui a perspectiva de alguém que se torna aquilo que eles precisariam! O tabernáculo representa a nossa vida – é um santuário portátil que conduz a presença do Eterno enquanto caminhamos pelo deserto (o mundo) rumo à nossa terra prometida!

O Eterno não suporta o pecado, não podendo haver coexistência entre o pecado e o Senhor no mesmo lugar. É justamente por isso que existe a necessidade de purificação, pois quando isso ocorrer o Eterno poderá então habitar ali; caso isso não ocorra, o Eterno ordena então que essa pessoa seja extirpada do meio do povo! A palavra usada aqui é “alma”, e esta vem do termo hebraico nepesh que significa “vida, alma, criatura, pessoa, mente”. Ora, percebemos que essa pessoa peca com a sua vontade, de forma consciente, e é justamente isso que desagrada ao Eterno! Por isso o Senhor ordena extirpar tal homem de entre o povo! A palavra “extirpar” vem do termo hebraico karat e significa “cortar fora, eliminar, matar”. Este termo nos faz lembrar quando Ieshua falou-nos que Ele é a videira e nós os ramos! O texto nos afirma: “Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15:5). Enquanto o homem está firme n´Ele nada poderá sobrevir-lhe, mas quando este mesmo homem não está com seu coração firmado em Ieshua, então virá o corte, a eliminação desta pessoa de entre o povo, assim como ocorria com o impuro no meio do povo de Israel!

A lei (torah) sobre a purificação continua dizendo: “Esta é a lei, quando morrer algum homem em alguma tenda, todo aquele que entrar naquela tenda, e todo aquele que nela estiver, será imundo sete dias. Também todo o vaso aberto, sobre o qual não houver pano atado, será imundo. E todo aquele que sobre a face do campo tocar em alguém que for morto pela espada, ou em outro morto ou nos ossos de algum homem, ou numa sepultura, será imundo sete dias” (Nm 19:14-16). A primeira coisa que percebemos aqui é que novamente o Eterno nos diz que isso é o ensino, algo que primeiramente deve ser aprendido para depois ser incorporado à nossa vida e então haverão as mudanças necessárias! A palavra torah aparece aqui – traduzida por “lei” – e nós já sabemos que ela significa “ensino, lei”. Há também a palavra “homem” que vem do termo hebraico adam e que significa “homem, espécie humana, humano”. Também a palavra “morrer” vem do termo hebraico mût e significa “morrer, matar, mandar executar”. Quando um homem, um ser humano morre em qualquer lugar, aquele lugar e as pessoas que ali estão tornam-se imundos! A morte traz sobre as pessoas um peso tão grande que é necessário um afastamento do convívio com os demais para que eles também não sejam “contaminados” pela própria morte! Isso parece um zelo extremo, mas não é. Quem já conviveu com o mundo sabe que ali reside de forma muito palpável, clara e inequívoca a morte! E isso não é apenas uma figura de linguagem, é um fato inegável em nosso dia a dia! É justamente por isso que é necessário que haja um ciclo de sete dias para a purificação! Novamente percebemos que o sete não significa “perfeição”, mas sim a totalidade, algo que entra em plenitude. É justamente por isso que o Eterno escolheu o número sete para que o homem, após passar por um período em que ele mesmo poderá ter refletido sobre o que lhe aconteceu, poderá então, após a totalidade desses dias, após atingir a plenitude, sair do estado de “imundície” para um estado de normalidade, para o convívio com o restante do povo de D-us!

Um outro aspecto nos fala agora sobre objetos, em particular sobre um vaso! “Também todo o vaso aberto, sobre o qual não houver pano atado, será imundo”. Aqui a palavra “vaso” é muito interessante e complexo, pois esta palavra vem do termo hebraico kelî e significa “armadura, armas, saco, bagagem, instrumento, jóias, material, coisa, ferramentas, vaso, utensílio”. Já a palavra “aberto” vem do termo petal que significa “abrir”. No tempo piel significa “soltar, desatar, desfazer”. E a palavra “imundo” vem do termo hebraico tame´ e significa “ser (ficar) impuro, imundo”. Quando juntamos todos estes termos percebemos que há uma grande complexidade naquilo que está sendo dito, pois em nossa tradução há uma alusão a um vaso que não está fechado e por isso torna-se impuro, imundo! Nós bem sabemos que os vasos na antiguidade eram usados para guardar os cereais e também os líquidos! Isso poderia então ter algum sentido. Porém o contexto não fala sobre objetos e sim sobre pessoas e isso poderá então nos dar uma oura dimensão daquilo que está escrito! Se pensarmos que essa palavra poderá então nos falar sobre a nossa “armadura” que está solta ou desfeita, isso sim poderia acrescentar uma outra ótica à este texto, pois percebemos o quanto a morte – contato com um morto – poderia então nos influenciar a tal ponto que nossa “armadura” (proteção) sofreria danos! Esta palavra nos lembra o relato de Paulo em Efésios capítulo 6, que diz: “Portanto, tomai toda a armadura de Elohim, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes. Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça; e calçados os pés na preparação do evangelho da paz; tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno. Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Elohim” (Ef 6:13-17).

A purificação deste estado viria somente quando o impuro fosse aspergido com hissopo e com água viva! “Para um imundo, pois, tomarão da cinza da queima da expiação, e sobre ela colocarão água corrente num vaso” (Nm 19:17). O homem precisa ser aspergido com a planta mais insignificante e com água corrente (viva) juntamente com as cinzas da novilha vermelha para que possa alcançar a purificação! A água representa a Palavra do Eterno que tem a capacidade de “lavar” o homem purificando-o! Em Efésios Paulo aplica esta terminologia à Igreja dizendo: “Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra” (Ef 5:26).

Agora teremos um novo estágio na vida dos israelitas: a morte de Mirian! Está descrito assim o fato: “Chegando os filhos de Israel, toda a congregação, ao deserto de Zim, no mês primeiro, o povo ficou em Cades; e Mirian morreu ali, e ali foi sepultada” (Nm 20:1). O relato da morte de Mirian é sumário, são apenas algumas palavras que nos dizem que a irmã do líder do povo de Israel – Moshe – morrera e fora ali mesmo sepultada! A palavra “morreu” em hebraico vem do termo mût e significa “morrer, matar, mandar executar”. Já a palavra “sepultada” vem do termo hebraico qabar com o mesmo significado. Este verbo é empregado sempre com referência à seres humanos. O interessante é que Mirian morreu no deserto e muito antes do povo entrar em Canaã! O deserto cobrou seu tributo e o Eterno permitiu que Mirian morresse e fosse sepultada ainda no deserto! A Torah nos mostra que quem entrou na terra foi a geração que nasceu no deserto! Os filhos do deserto foram os grandes herdeiros de Canaã, apesar de não terem vivenciado a libertação do Egito e também de não verem parte dos milagres que ocorreram no deserto! A morte de Mirian não foi amplamente comentada e nem mereceu destaque, pois após este brevíssimo relato, não se fala mais sobre ela.

A continuidade dos fatos demonstra que a morte de Mirian parece ter sido indiferente para os israelitas: “E não havia água para a congregação; então se reuniram contra Moshe e contra Aharon. E o povo contendeu com Moshe, dizendo: Quem dera tivéssemos perecido quando pereceram nossos irmãos perante o IHVH! E por que trouxestes a congregação do IHVH a este deserto, para que morramos aqui, nós e os nossos animais? E por que nos fizestes subir do Egito, para nos trazer a este lugar mau? lugar onde não há semente, nem de figos, nem de vides, nem de romãs, nem tem água para beber. Então Moshe e Aharon se foram de diante do povo à porta da tenda da congregação, e se lançaram sobre os seus rostos; e a glória do IHVH lhes apareceu” (Nm 20:2-6). O relato demonstra como o povo reagiu à falta de água no deserto – que é um dos lugares onde é sabido não haver abundância de água – mas esta reação demonstra o baixo nível de relacionamento do povo com o Eterno. A palavra “congregação” em hebraico é edâ e significa “assembleia, multidão, congregação, povo”. Este termo nos fala do povo de forma genérica. Já a palavra “reuniram” vem do termo hebraico qahal que significa “assembleia, grupo, congregação”. Esta palavra já é específica para um grupo dentro do povo e portanto demonstra que algumas pessoas – que se diziam os “representantes do povo” – vieram a reclamar com Moshe por causa das condições extremamente difíceis do deserto! Eles contenderam com Moshe! A palavra “contender” em hebraico é rib e significa “contenda, controvérsia, disputa”. Esta palavra nos fala sobre uma “luta” pela afirmação entre as partes, mas uma luta que é travada através das palavras. As duas partes querem afirmar – ou reafirmar – a sua razão em meio à discussão! Os argumentos dos “representantes do povo” são altamente contraditórios, pois dizem: “Quem dera tivéssemos perecido quando pereceram nossos irmãos perante o Senhor!” Eles argumentam que lhes teria sido melhor haver morrido do que passar por aquela situação! Esta atitude demonstra que há feridas profundas na alma destas pessoas, pois elas prefeririam a morte ao invés de fazerem parte das promessas do Eterno! Eles prefeririam já terem abandonado a História ao invés de serem os protagonistas desta mesma História! A palavra “perecer” em hebraico vem do termo gawa´ e significa “estar morto, morrer, render o espírito, perecer, preparar-se para morrer”. Esta palavra nos fala sobre a disposição para a morte que estava em seus corações! Eles parecem não querer a vida; preferem morrer, rendendo-se ao deserto ao invés de lutarem para alcançar a vitória que lhes fora prometida pelo Eterno! Com esta afirmação eles estão dizendo literalmente: “Nós estamos prontos para morrer!” E eles afirmam que isso deveria ter acontecido “perante o Senhor”. Estas palavras são literalmente em hebraico “panim IHVH”. A palavra panim significa “rosto, face” e está no plural indicando que há uma pluralidade de elementos que compõe o rosto e naturalmente demonstram qual é a disposição de coração da face daquele a quem se contempla! Quando eles disseram isso queriam dizer que gostariam de serem parte do juízo que caiu sobre seus irmãos quando pecaram o morreram deserto! Então o Eterno se tornou para aquelas pessoas aquilo que elas precisavam naquele momento: o juízo!

Eles comparam o deserto com o Egito, onde eles tinham semente, figueiras, videiras, romãs e água para beber! A comparação é esdrúxula e incabível, porém os líderes do povo insistem que Moshe foi o culpado por aquela situação pois os fizera subir do Egito até aquele lugar! Na continuidade temos então a reação de Moshe e Aharon, que é de não abrirem suas bocas, mas de colocarem seus joelhos em terra e clamarem ao Senhor! Diante da tenda da congregação eles então vêem o resultado de sua atitude: a glória do Eterno aparece à eles! A palavra “glória” em hebraico vem do termo kabod e significa “grande, pesaroso, duro, pesado”. E o termo “Senhor” é IHVH (tetragrama). Já a palavra “apareceu” vem do termo hebraico ra´a que significa “ver, olhar, inspecionar’! Isso indica que Aquele que se torna aquilo que o homem precisa veio inspecionar aquilo que estava acontecendo no acampamento dos israelitas e essa aparição foi tão estrondosa que não pôde ser suportada pelos israelitas e é justamente por isso que é usada a palavra kabod que indica que é tão indescritível a presença do Eterno que de tão glorioso e grandioso é “duro, pesado”.

A palavra do Senhor para Moshe foi a seguinte: “E o IHVH falou a Moshe dizendo: toma a vara, e ajunta a congregação, tu e Aharon, teu irmão, e falai à rocha, perante os seus olhos, e dará a sua água; assim lhes tirarás água da rocha, e darás a beber à congregação e aos seus animais. Então Moshe tomou a vara de diante do IHVH, como lhe tinha ordenado. E Moshe e Aharon reuniram a congregação diante da rocha, e Moshe disse-lhes: Ouvi agora, rebeldes, porventura tiraremos água desta rocha para vós? Então Moshe levantou a sua mão, e feriu a rocha duas vezes com a sua vara, e saiu muita água; e bebeu a congregação e os seus animais” (Nm 20:7-11). Novamente o Eterno se apresenta como IHVH! As instruções do Eterno são claras e precisas para que a rocha possa dar água e satisfazer os israelitas. A primeira coisa é que Moshe deve tomar a sua vara. A palavra “vara” vem do termo hebraico matteh e significa “vara, bordão, bastão, haste, tribo”. Era um símbolo da tribo e da autoridade conferida ao seu portador. Moshe novamente usaria o mesmo instrumento que usara para abrir o Mar dos Juncos a fim de dar água para o povo beber. A palavra “congregação” vem do termo qahal que significa “assembléia, grupo, congregação”. Esta palavra já é específica para um grupo dentro do povo. Agora, os queixosos haveriam de contemplar mais um milagre feito pelo Senhor! A instrução é para que Moshe fale à rocha! A palavra “falar” vem do termo hebraico dabar que significa “falar, declarar, conversar, ordenar”. É como se Moshe tivesse um diálogo com a rocha e ela lhe desse água para os 2.400.000 (aproximadamente) israelitas saciarem sua sede!

Então Moshe reúne o povo diante da rocha. A palavra “rocha” em hebraico é sela´ e significa “rocha, penhasco”. Refere-se a uma fenda na rocha; designa então uma grande pedra ou um penhasco. Um maciço rochoso no deserto não é incomum na região de Cades e foi num destes pontos que Moshe reúne o povo para fazer com que a rocha dê-lhes água. Devemos lembrar que ali não havia sequer sinal da presença de água ou qualquer vestígio de um rio ou riacho ou nascente d´água! Aqui eles são chamados de “rebeldes” e esta palavra vem do termo hebraico marâ que significa “ser rebelde, ser desobediente”; o sentido é provocar com desafio ou afronta. A atitude daquelas pessoas foi justamente a mesma que levou Há Satan a ser expulso da presença do Eterno. Com esta atitude eles queriam dizer que estavam insatisfeitos com o Eterno e o estavam desafiando a dar-lhes água no deserto!

Agora temos duas circunstâncias: a primeira – e a mais importante – é que Moshe e o povo estão diante da rocha (maciço rochoso) que aqui representa Ieshua o qual poderá dar ao povo água para satisfazer-lhe a sede mediante uma palavra! Ieshua se compara à rocha quando dialoga com Kefa, dizendo: “Pois também eu te digo que tu és Kefa, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16:18). A segunda circunstância é a desobediência de Moshe: ele toma a sua matteh – o símbolo de sua autoridade e novamente fere a rocha! A palavra “ferir” vem do termo hebraico nakâ e significa “ferir, golpear, bater, atingir, abater, matar”. A rocha – Ieshua – não poderia ser ferida (morta) duas vezes! Nós bem sabemos que a morte de Ieshua foi suficiente para que o homem recebesse a redenção – preço pago em resgate da vida de alguém – e também o perdão de seus pecados através da morte na estaca de Ieshua! O ato de Moshe fazer isso fez com que ele fosse então contado com aqueles mesmo desobedientes e rebeldes e isso custou-lhe a sua entrada em Canaã! O Eterno é claro quando diz a Moshe e Aharon que eles não creram n´Êle e por isso na entrariam na terra! A palavra “crer” em hebraico vem do termo ´amam e significa “confirmar, sustentar, estabelecer, ser fiel, estar certo, crer em”. E a palavra “santificar” vem do termo qadash e significa “ser consagrado, ser santo, ser santificado, consagrar, santificar, preparar, dedicar”. O fato de Moshe não ter falado mas ferido a rocha demonstrou para o Eterno que ele – Moshe – não conseguiu confirmar aquilo que Ele havia-lhe dito; Moshe não pudera sustentar, estabelecer, ser fiel no cumprimento da palavra que lhe fora entregue. Isso parece ter-lhe acontecido por causa de seu estado nervoso; Moshe parecia não suportar mais a atitude do povo e naquele momento ele parece extravasar todo este peso e transferi-lo para a rocha com as duas batidas que resultaram na água para o povo e para os animais! Moshe com isso não santifica – separa, consagra – o Eterno aos olhos do povo, que certamente notou que o Eterno lhe ordenara falar e ele batera na rocha!

Na sequência dos fatos, Moshe e o povo pedem passagem à Edom, pois eles atravessariam o território deles em sua caminhada para Canaã: “Depois Moshe, de Cades, mandou mensageiros ao rei de Edom, dizendo: Assim diz teu irmão Israel: Sabes todo o trabalho que nos sobreveio, como nossos pais desceram ao Egito, e nós no Egito habitamos muitos dias; e como os egípcios nos maltrataram, a nós e a nossos pais; e clamamos ao IHVH, e ele ouviu a nossa voz, e mandou um anjo, e nos tirou do Egito; e eis que estamos em Cades, cidade na extremidade dos teus termos. Deixa-nos, pois, passar pela tua terra; não passaremos pelo campo, nem pelas vinhas, nem beberemos a água dos poços; iremos pela estrada real; não nos desviaremos para a direita nem para a esquerda, até que passemos pelos teus termos. Porém Edom lhe disse: Não passarás por mim, para que eu não saia com a espada ao teu encontro. Então os filhos de Israel lhe disseram: Subiremos pelo caminho aplanado, e se eu e o meu gado bebermos das tuas águas, darei o preço delas; não desejo alguma outra coisa, senão passar a pé. Porém ele disse: Não passarás. E saiu-lhe Edom ao encontro com muita gente, e com mão forte. Assim recusou Edom deixar passar a Israel pelo seu termo; por isso Israel se desviou dele” (Nm 20:14-21). Moshe usa de toda a sua diplomacia com Edom, pois os edomitas são descendentes de Esaú e portanto são meio-irmãos daquele povo que agora peregrina pelo deserto! Com a recusa deles em ceder passagem aos israelitas eles então desviam-se por outro caminho a fim de não travarem um combate com aqueles que consideram também como seus familiares!

Agora o Eterno anuncia a morte de Aharon! Após a morte de Mirian, vem agora a morte do sumo-sacerdote de Israel! “Então partiram de Cades; e os filhos de Israel, toda a congregação, chegaram ao monte Hor. E falou o Senhor a Moshe e a Aharon no monte Hor, nos termos da terra de Edom, dizendo: Aharon será recolhido a seu povo, porque não entrará na terra que tenho dado aos filhos de Israel, porquanto rebeldes fostes à minha ordem, nas águas de Meribá. Toma a Aharon e a Eleazar, seu filho, e faze-os subir ao monte Hor. E despe a Aharon as suas vestes, e veste-as em Eleazar, seu filho, porque Aharon será recolhido, e morrerá ali. Fez, pois, Moshe como o IHVH lhe ordenara; e subiram ao monte Hor perante os olhos de toda a congregação. E Moshe despiu a Aharon de suas vestes, e as vestiu em Eleazar, seu filho; e morreu Aharon ali sobre o cume do monte; e desceram Moshe e Eleazar do monte. Vendo, pois, toda a congregação que Aharon era morto, choraram a Aharon trinta dias, toda a casa de Israel” (Nm 20:22-29). Agora temos aqui o aviso da morte de Aharon e a forma de sucessão sacerdotal. O Eterno avisa que Aharon seria “recolhido a seu povo”, onde a palavra “recolhido” vem do termo hebraico asap que significa “reunir, remover, recolher”; já a palavra povo vem do termo am que significa “povo”, mas é uma palavra que designa o povo de Israel! O Senhor trata com Aharon de uma forma muito carinhosa, pois Ele avisa que vai reunir, recolher Aharon para junto dos israelitas justos que já morreram! O motivo disso é a rebeldia mostrada por ele e Moshe junto às águas de Meribá. A palavra “rebelde” vem do termo hebraico marad que significa “ser rebelde, rebelar-se, revoltar-se”. A palavra tem a conotação de uma tentativa do vassalo de anular ou revogar um contrato ou aliança. Denota também a deslealdade e a desunião entre uma das partes para com a outra. Isto nos dá a entender que a atitude de Moshe contou coma conivência de Aharon e isso fez com que ocorresse agora este fato!

Essa medida se daria sobre o monte Hor, longe da vista do povo, onde Aharon seria substituído por Eleazar. O nome de Eleazar é a fusão de dois termos El, que é um dos nomes de D-us e azar que significa “ajudar, apoiar”. Essa substituição aconteceria com Aharon tirando de sobre si a roupa de sumo sacerdote e a mesma seria posta sobre Eleazar, havendo assim uma transferência de cargo (responsabilidade) e também da unção que estava sobre Aharon para seu filho Eleazar! É como se um guerreiro transferisse para outro a armadura de guerra antes de morrer!

Aharon então transfere para seu filho a sua vestimenta sacerdotal e ali no cume do monte Hor morre e junta-se aos seus nas moradas celestiais! Quando Moshe e Eleazar descem do monte e o povo percebe que Aharon morrera, eles então choram e lamentam pela morte dele! A lamentação e o posar pela morte de Aharon duraram trinta dias! Isso demonstra o contraste entre duas mortes: a de Mirian e a de Aharon!

Temos agora o confronto dos israelitas com os cananeus. “Ouvindo o cananeu, rei de Arade, que habitava para o lado sul, que Israel vinha pelo caminho dos espias, pelejou contra Israel, e dele levou alguns prisioneiros. Então Israel fez um voto ao IHVH, dizendo: Se de fato entregares este povo na minha mão, destruirei totalmente as suas cidades. O IHVH, pois, ouviu a voz de Israel, e lhe entregou os cananeus; e os israelitas destruíram totalmente, a eles e às suas cidades; e o nome daquele lugar chamou Hormá” (Nm 21:1-3). Os cananeus atacaram aos israelitas e deles fizeram alguns prisioneiros. Quando isso aconteceu então os israelitas tiveram uma atitude ousada para com o Eterno e fizeram-lhe um voto: eles destruiriam os cananeus caso os mesmos lhes fossem por eles vencidos no próximo confronto. A palavra “votar” (aqui em português temos o termo “fez”) em hebraico é nadar e significa “fazer um voto”. Já a palavra “voto” vem do termo neder que significa “oferta votiva, voto”. Tem a conotação de verbalmente consagrar ou dedicar algo à D-us! Eles fariam esta dedicação Àquele que se tornaria a sua vitória (IHVH)! O que aconteceu é que o Senhor (IHVH) ouviu a voz dos israelitas e eles destruíram aos cananeus! A palavra “destruir” vem do termo hebraico haram e significa “proscrever, consagrar, destruir totalmente”. A vitória dos israelitas foi tão grande que a destruição do inimigo foi total! Não houve como os cananeus escaparem das mãos dos israelitas quando o Eterno assim o determinou!

Temos finalmente, o caso da serpente de metal feita por Moshe. O relato bíblico diz assim: “Então partiram do monte Hor, pelo caminho do Mar dos Juncos, a rodear a terra de Edom; porém a alma do povo angustiou-se naquele caminho. E o povo falou contra Elohim e contra Moshe: Por que nos fizestes subir do Egito para que morrêssemos neste deserto? Pois aqui nem pão nem água há; e a nossa alma tem fastio deste pão tão vil. Então o IHVH mandou entre o povo serpentes ardentes, que picaram o povo; e morreu muita gente em Israel. Por isso o povo veio a Moshe, e disse: Havemos pecado porquanto temos falado contra o IHVH e contra ti; ora ao IHVH que tire de nós estas serpentes. Então Moshe orou pelo povo. E disse o IHVH a Moshe: Faze-te uma serpente ardente, e põe-na sobre uma haste; e será que viverá todo o que, tendo sido picado, olhar para ela. E Moshe fez uma serpente de metal, e pô-la sobre uma haste; e sucedia que, picando alguma serpente a alguém, quando esse olhava para a serpente de metal, vivia” (Nm 21:4-9). O primeiro detalhe aqui é que a nossa tradução fala “Mar Vermelho”, que comumente temos em nossas Bíblias está errada, o correto é Mar dos Juncos! A palavra “vermelho” vem do termo sûp que significa “junco, planta aquática”. Agora vemos o próprio povo falando contra D-us e também contra Moshe. A palavra “falou” vem do termo hebraico dabar que significa “falar, declarar, conversar, ordenar”. O povo fala contra Elohim (D-us), contra o seu Criador, como se ele (o povo) conhecesse os caminhos e propósitos do Eterno em cada ato seu! Eles reclamam novamente do deserto. A palavra “deserto” vem do termo hebraico midbar com o mesmo significado. Esta palavra é suada para descrever três tipos de terreno em geral:

Pastagens,

Terra não habitada ou

Áreas extensas em que oásis e cidades existem aqui e ali.

Eles reclamam que sua alam sente-se cansada do maná! A palavra “alma” vem do termo hebraico nepesh e significa “vida, alma, criatura, pessoa, mente”. Parece que a simples lembrança do maná lhes traz asco, nojo. A reação do Eterno é imediata e vem serpentes entre o povo que os picam causando-lhes a morte. Este tipo de reação do Eterno faz com que o povo reconheça seu pecado e venha Moshe. A palavra “pecado” vem do termo hebraico hatâ e significa “errar, sair do caminho, pecar, tornar-se culpado”. Ou seja, o povo reconheceu que aquilo que eles haviam feito fora extremamente grave e atraíra sobre si o mal que agora viam! A solução é que o Eterno ordena que uma cópia da serpente seja feita em metal e pendurada sobe uma haste a fim de que, todo aquele que para ela olhasse seria curado e viveria! Este objeto aponta para Ieshua que mataria a grande serpente (Há Satan) com seu próprio veneno – o pecado – vencendo-o e fazendo assim com que todo o homem quem olhe para Ele seja salvo (e viva)! Assim termina esta praga no meio do acampamento dos israelenses e a vida novamente retorna ao seu rumo cotidiano!

Que o Eterno nos ajude a sermos sensíveis e bastante para que, quando errarmos possamos então reconhecer nossas falhas e sermos salvos e termos nossos corpos curados pelo Senhor!

Baruch há Shem!

Mário Moreno

Fonte: http://www.shemaysrael.com/

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